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1320504 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: AOCP
Orgão: BM-RS
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Texto 1
O desastre: duas guerras, um déficit e uma crise
O aprendiz de alfaiate Andrew Johnson, que presidiu os Estados Unidos de 1865 a 1869, já foi considerado um dos grandes líderes americanos. Isso foi no tempo em que barrar a integração social dos negros era visto como uma louvável forma de impedir a corrupção de valores. Racista, Johnson combateu todos os esforços para criar uma democracia multirracial. Com a mudança na leitura da história, e o consequente sepultamento da odiosa supremacia branca, mudou também o conceito sobre Johnson, hoje considerado um dos piores presidentes americanos. Com seu adeus definitivo à Casa Branca, George Walker Bush, 62 anos, sai do poder como um dos piores, se não o pior, presidentes que os Estados Unidos já tiveram. Pode ser que Bush seja visto sob melhores luzes daqui a meio século. Mas, por enquanto, o republicano voltará para o seu rancho no Texas deixando para trás um governo desastroso cujo balanço é um desserviço completo: a maior potência econômica e militar da história conseguiu, em oito anos, ficar menos temida pelos inimigos e menos admirada pelos amigos.
Bush chegou dizendo que faria um governo “para unir, não para dividir”, e agora entrega um país com duas guerras (Iraque e Afeganistão), um déficit monumental (já na casa do trilhão de dólares) e uma economia em frangalhos (a pior crise desde a II Guerra Mundial). Logo que assumiu, Bush foi atropelado pelos atentados de 11 de setembro de 2001 – e isso, nos sete anos seguintes, serviria como justificativa e desculpa para tudo: a espionagem de cidadãos americanos, as prisões secretas e a tortura contra prisioneiros, numa lamentável quebra da tradição americana de respeito aos direitos humanos. Em defesa de seu governo, Bush afirmou, em seu último pronunciamento, que se pode debater se suas decisões foram acertadas, mas não é possível questionar os resultados. “Estamos há mais de sete anos sem nenhum ataque terrorista em nosso solo”, disse.
É uma defesa pobre de seus efeitos. Afinal, mesmo sem Bush, também não houve ataques de terroristas estrangeiros nos sete anos que antecederam o 11 de Setembro. Mesmo daqui a 100 anos, Bush ainda será lembrado pela sua principal obra, a guerra do Iraque, que começou por um motivo falso (as tais armas de destruição em massa que nunca apareceram), já matou mais de 4 000 militares americanos e 100 000 civis iraquianos, consome 10 bilhões de dólares por mês e elegeu o opositor, Barack Obama. É preciso reconhecer, porém, que a guerra no Iraque não chegou a ser o fracasso vietnamita que muitos previram que seria.
Em dezembro de 2006, o historiador Eric Foner, da Universidade Colúmbia, assinou um artigo afirmando que Bush era o pior presidente da história. Fazia um governo obtuso como o de Franklin Pierce (1853-1857), corrupto como o de Warren Harding (1921-1023) e abusivo como o de Richard Nixon (1969-1974). Na semana passada, convidado por VEJA a voltar a avaliar o governo, o historiador disse: “Os últimos dois anos só confirmaram meu julgamento. Mas, ainda que ruim, o segundo mandato de Bush foi melhor que o primeiro. Nele, o presidente foi mais habilidoso, teve um convívio frutífero com a China, abriu as portas do clube atômico à Índia e abandonou a aversão ao uso da diplomacia, adotando-a para lidar com a Coréia do Norte e o Irã”. Parece pouco, mas, em se tratando de Bush, talvez não se pudesse esperar muito mais.
Texto extraído da Revista Veja, edição 2096, ano 42, n.3, de 21 de janeiro de 2009. p. 82-83.
Assinale a alternativa que apresenta uma palavra que teve sua acentuação alterada de acordo com a Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa.
 

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