Os cientistas brasileiros nunca renderam muitas notícias nos periódicos especializados de primeira linha. Mesmo quando eles publicam seus artigos nessas revistas, obtêm uma repercussão menor que a dos autores de outras nacionalidades. A ISI Web of Knowledge, base de dados que a agência norte-americana Thomson Reuters montou a partir dos textos científicos publicados desde 1900, mostra que o impacto de um trabalho de um brasileiro é 37% menor que o da média dos de cientistas dos países de primeiro mundo. A razão para isso é que só recentemente o Brasil passou a valorizar a produção acadêmica — os primeiros cursos de pós-graduação foram abertos há menos de cinquenta anos. Além de ter chegado atrasado, o país continua a investir pouco em ciência. Mas há sinais de que o Brasil começa a superar suas dificuldades nesse campo.
O número de artigos assinados por pesquisadores brasileiros em publicações de referência mundial cresceu 84,5% de 2005 a 2009, em comparação ao quinquênio 2000/2004. O progresso não foi apenas quantitativo, os trabalhos também passaram a ganhar mais atenção. Nos últimos anos, as citações feitas por cientistas estrangeiros de artigos escritos por brasileiros subiram 126,4%. Esse incremento é ainda mais relevante que o aumento da produção, porque as menções refletem a maior qualidade dos estudos feitos no país.
Apesar de essa situação ter-se mostrado positiva em relação aos anos anteriores, o imunologista Jorge Kalil, diretor, há vinte e seis anos, do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração em São Paulo, e um dos maiores pesquisadores de sua área no Brasil, afirma: “É preciso aumentar o intercâmbio de cientistas brasileiros com os de institutos internacionais de referência. Hoje, no máximo 10% dos pesquisadores em atividade no Brasil trabalham em grandes centros no exterior. Na área da ciência, esse contato é essencial — não só para saber como os grandes cientistas trabalham, mas para estabelecer bons contatos e se fazer conhecer. Além disso, há um problema ainda maior: a burocracia brasileira entrava o trabalho dos cientistas. Existe uma enorme dificuldade para a importação de materiais básicos de laboratório, como reagentes, anticorpos e enzimas”.
Veja, 23/3/2011 (com adaptações).
Em relação às ideias e estruturas linguísticas do texto anterior, julgue o item que se segue.
A eliminação da frase “diretor, há vinte e seis anos, do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração em São Paulo”, que exerce a função de aposto explicativo do termo “o imunologista Jorge Kalil”, embora reduzisse as informações textuais, não prejudicaria a correção gramatical do texto.