Nos últimos quatro dias, em vários bairros de Belém, as gangues de rua voltaram a protagonizar cenas de violência que, se já não espelhassem sua faceta selvagem nas mortes que provocam, estabeleceram aquele tipo de situação em que cidadãos sentem-se nocauteados na própria capacidade de reagir contra a inação de autoridades a quem cabe, de fato e de direito, protegê-los.
Configura-se, assim, uma dupla violência: uma é aquela que ceifa vidas, que mutila, que estropia, lesiona com gravidade pessoas inocentes até mesmo no recesso de seus lares; a outra, tão brutal quanto a primeira, manifesta-se quando a sociedade sente-se imobilizada, sem meios para defender-se de forma eficaz e sem motivos para acreditar que estará a salvo de vândalos completamente entregues à delinqüência que não poupa ninguém.
É chocante, para não dizer degradante, constatar, como mostrou reportagem há poucos dias exibida pela TV Liberal, que os moradores de uma passagem, não mais suportando os perigos, as arruaças e os enfrentamentos constantes entre gangues, manifestavam-se com a desolação atroz de quem não sabe mais a quem recorrer, para que os problemas que enfrentam sejam, se não solucionados, pelo menos atenuados.
São pessoas humildes – homens, mulheres e crianças – que jamais estiveram e jamais estarão preocupadas em saber, conceitualmente, o que significa cidadania. Almejam, isto sim, vivê-la efetivamente, sem subterfúgios, sem atropelos, sem humilhações impostas por bandidos que vivem à solta, reunidos em grupos que há muito deixaram de pichar prédios públicos e particulares, passando mesmo a matar, roubar e extorquir na maioria das vezes os pobres.
A proliferação das gangues não é uma fatalidade, ou imposição do destino a que toda cidade grande estaria sujeita. Essencialmente, as gangues estão aí, multiplicando-se em número e no potencial de violência, porque a elas não se contrapõe o poder legal, como seria de se esperar. Que cidadania podemos esperar, numa circunstância como essa?
O Liberal (Belém, PA, 9 jul. 1998.
Outro fragmento do texto 01, parágrafo 2º. Leia-o para responder a questão
Configura-se, assim, uma dupla violência: uma é aquela que ceifa vidas, que mutila, que estropia, lesiona com gravidade pessoas inocentes até mesmo no recesso de seus lares (...)
Observe os sinais de pontuação no fragmento. Que alternativa justifica a presença desses sinais corretamente?