Uma poética da escassez e da negatividade enuncia-se em
Vidas Secas como uma contraposição ao pitoresco, ao
descritivismo e ao gosto retórico presentes na tradição do
romance da seca, desde o naturalismo do século XIX até o
regionalismo dos anos 30. Além disso, o romance oferece um
ponto de fuga em relação à maioria dos textos literários que, no
período, desempenhavam a função de “desvendamento social” do
Brasil, na medida em que problematiza, com rigor incomum,
pressupostos identitários de integração nacional por eles
formulados. Para tanto, desfaz as certezas da terceira pessoa
narrativa, descentrando sua onisciência, e escolhe a forma
descontínua como recurso de montagem textual.
Wander Melo Miranda. In: Intérpretes do Brasil, v. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000, p. 93 (com adaptações).
A partir das estruturas lingüísticas e dos sentidos do texto acima, assinale a opção correta.