“Aqueles que são contratados experienciam uma distinção entre o tempo do empregador e o seu "próprio" tempo. E o empregador deve usar o tempo de sua mão-de-obra e cuidar para que não seja desperdiçado: o que predomina não é a tarefa, mas o valor do tempo quando o reduzem a dinheiro. O tempo agora é moeda: ninguém passa o tempo, e sim o gasta.”
(THOMPSON, E. P. Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial. Costumes em comum. Estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras, 2005, p.272.)
“Percorrendo-se o corredor central da oficina, é possível realizar uma vigilância ao mesmo tempo geral e individual; constatar a presença, a aplicação do operário, a qualidade de seu trabalho; comparar os operários entre si, classificá-los segundo sua habilidade e rapidez; comparar os sucessivos estágios da fabricação. Todas essas seriações formam um quadriculado permanente: as confusões se desfazem; a produção se divide e o processo de trabalho se articula por um lado segundo suas fases, estágios ou operações elementares, e por outro, segundo os indivíduos que o efetuam, os corpos singulares que a ele são aplicados [...].
(FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 1977. P.133)
Os dois fragmentos acima explicam o funcionamento de um novo modelo de organização do trabalho. Sobre esse modelo é correto afirmar que