Trotou, trotou e, depois de muito trotar, deu com eles numa região onde o ar chiava de modo estranho.
— Que zumbido será este? — indagou a menina [Narizinho]. — Parece que andam voando por aqui milhões de vespas invisíveis.
— É que já entramos em terras do País da Gramática
— explicou o rinoceronte. — Estes zumbidos são os Sons Orais, que voam soltos no espaço.
— Não comece a falar difícil que nós ficamos na mesma — observou Emília. — Sons Orais, que pedantismo é esse?
— Som Oral quer dizer som produzido pela boca. A, E, I, O, U são Sons Orais, como dizem os senhores gramáticos.
— Pois diga logo que são letras! — gritou Emília.
— Mas não são letras! — protestou o rinoceronte. — Quando você diz A ou O, você está produzindo um som, não está escrevendo uma letra. Letras são sinaizinhos que os homens usam para representar esses sons. Primeiro há os Sons Orais; depois é que aparecem as letras, para marcar esses sons orais. Entendeu?
LOBATO, J. B. Monteiro (1952 [1934]): Emília no País da Gramática. 3ª ed., São Paulo, Brasiliense.
Na fala da personagem Quindim: “Quando você diz A ou O, você está produzindo um som, não está escrevendo uma letra.”, tem-se a distinção entre os conceitos de