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997412 Ano: 2017
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: AOCP
Orgão: UNCISAL
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Eu, etiqueta

[...]

Não sou – vê lá – anúncio contratado.

Eu é que mimosamente pago

Para anunciar, para vender

Em bares festas praias pérgulas piscinas,

E bem à vista exibo esta etiqueta

Global no corpo que desiste

De ser veste e sandália de uma essência

Tão viva, independente,

Que moda ou suborno algum a compromete.

Onde terei jogado fora

meu gosto e capacidade de escolher,

Minhas idiossincrasias tão pessoais,

Tão minhas que no rosto se espelhavam

E cada gesto, cada olhar,

Cada vinco da roupa

Sou gravado de forma universal,

Saio da estamparia, não de casa,

Da vitrine me tiram, recolocam,

Objeto pulsante mas objeto

Que se oferece como signo de outros

Objetos estáticos, tarifados.

Por me ostentar assim, tão orgulhoso

De ser não eu, mas artigo industrial,

Peço que meu nome retifiquem.

Já não me convém o título de homem.

Meu nome novo é coisa.

Eu sou a coisa, coisamente.

Disponível em: <https://www.pensador.com/eu_etiqueta_-_ carlos_drumond_de_andrade/>. Acesso em: 27 out.2017.

Analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas. O trecho do poema de Drummond aponta para uma concepção de corpo e sociedade que evidencia

I. uma crítica a um corpo que ganha contornos de mercadoria.

II. a produção de um tipo de corporeidade profundamente identificada com o consumismo.

III. uma relação entre roupas, manequins das vitrines e marketing.

IV. uma relação mercantil com o corpo, ainda presente no século XXI.

V. uma dimensão poética sem relação com a realidade vivida por pessoas na atualidade.

 

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