TEXTO 2
Muito se tem falado sobre a leitura e sua importância para o processo educativo – importância essa que nos parece inquestionável. Dispomos hoje de um grande volume de trabalhos que tratam do tema em diferentes perspectivas. Há também um grande número de estudos que mostram dificuldades de toda ordem relacionadas à prática de leitura na escola e a seus efeitos sociais.
Aqui, nos alinhamos ao pensamento de Cafieiro (2010), a qual também afirma que a leitura é um processo de muitas facetas (histórica, social, cultural e cognitiva), que ultrapassa a mera decodificação de sinais. Ler é atribuir sentidos e o leitor, ao compreender um texto como um todo coerente, pode ser capaz de refletir sobre ele, criticá-lo, saber usá-lo em sua vida.
Essa concepção conduz a uma mudança na forma de pensar e organizar o ensino da leitura; se os sentidos não estão prontos no texto, “é preciso contribuir para que os alunos criem boas estratégias para estabelecer relações necessárias à compreensão”. Portanto, a leitura deve ser tomada como um objeto de ensino, na medida em que ações diversificadas e sistematicamente organizadas podem contribuir para que o aluno leia melhor. As aulas de leitura devem se constituir como espaços de elaboração de perguntas e hipóteses, de confronto de interpretações, de apreciação sobre os dizeres dos outros, de alargamento de referências, sendo insuficientes, para isso, os limitados questionários que requerem apenas localização de informações no texto.
Além de desenvolver capacidades próprias de leitura junto aos nossos alunos, precisamos, enquanto docentes, reconhecer e trabalhar outras capacidades que o ato de ler pode ajudar a desenvolver, sobretudo aquelas atinentes ao conhecimento da língua e aos processos de escrita. Isso requer planejamento e elaborações didáticas específicas que ativem conhecimentos, estratégias, procedimentos, valores e atitudes cada vez mais complexos e articulados. Em resumo, ensinar a ler não é o mesmo que mandar ler: é preciso atuar intencionalmente para que se aprenda a ler.
SUASSUNA, L. Práticas de letramento para a formação do cidadão crítico. In: ATAÍDE, C. et al. (Orgs.). Gelne 40 anos: experiências teóricas e práticas nas pesquisas em linguística e literatura. São Paulo: Blucher, 2017. p. 279-280. Adaptado.
Considerando a significação contextual de palavras e expressões, analise as proposições apresentadas a seguir.
1. Ao afirmar que a leitura tem “importância inquestionável para o processo educativo” (1º parágrafo), a autora quis dizer que a leitura tem “importância inigualável para o processo educativo”.
2. Ao dizer: “[...] nos alinhamos ao pensamento de Cafieiro” (2º parágrafo), a autora pretendeu afirmar que há concordância entre o pensamento de Cafieiro e o dela mesma, no texto em questão.
3. Sobre as aulas de leitura, a autora opina que elas “devem se constituir como espaços de confronto de interpretações” (3º parágrafo); ou seja, elas devem se constituir como locais de embate de interpretações.
4. No 4º parágrafo, encontramos a seguinte afirmação: “Isso requer planejamento e elaborações didáticas específicas que ativem conhecimentos, estratégias, procedimentos, valores e atitudes cada vez mais complexos e articulados.”. O termo destacado significa “multifacetados”.
Estão CORRETAS, apenas: