A seguir estão recortes de uma entrevista do crítico literário Valentim Facioli concedida ao site Educação Uol. Encontre o trecho que melhor pode ilustrar a declaração de Antonio Candido destacada na questão 6:
O mal do século, uma doença indefinível, entedia e faz desejar a morte como a única via de libertação. Na verdade, a imagem de uma contradição insolúvel entre o excesso de energia interior, do eu, a procura do absoluto, e os limites das condições reais dos homens e da sociedade. São dessa geração: Casimiro de Abreu, Laurindo Rabelo, Álvares de Azevedo, Junqueira Freire, Fagundes Varela e Bernardo Guimarães.
“O romantismo significa a diferenciação da nossa com a literatura portuguesa, mediante a diferenciação temática e de linguagem. O romantismo quebrou a estreita dependência linguística que nos prendia à tradição literária portuguesa, pela incorporação de peculiaridades vocabulares e sintáticas e por procurar um ponto de vista nacional brasileiro.
Ao mesmo tempo, pelas contradições inerentes ao nosso país e pelas profundas diferenças entre o império brasileiro e a Europa burguesa, o romantismo impregnou-se de contradições que bem expressam a situação global de adaptação de uma profunda corrente cultural e artística, nascida no exterior, às condições do Brasil, país atrasado, dependente e preso à órbita da Europa.
Ao equilíbrio neoclássico, ele contrapõe o desequilíbrio inovador e experimental. A linguagem é vista como impotente, incapaz de expressar toda a emoção e o sentimento. Diante da carga nova da sensibilidade e da intuição é necessário que as regras do código (isto é, a gramática da língua) sejam questionadas, que as categorias da razão sejam descartadas e sobressaia a palavra carregada de sentimentos do coração do poeta para o coração do leitor. Isso faz com que o poeta romântico privilegie o emissor (o eu, a função emotiva da linguagem, isto é, aquele que fala), comportando-se, diante da palavra com a desconfiança que, por assim dizer, ele inaugura na literatura ocidental moderna.
Sousândrade, que começa como poeta próximo da Segunda geração, torna-se uma voz destoante do nosso Romantismo, entrando na Terceira geração apenas por cronologia. Esquecida durante meio século, sua poesia, embora marcada também pelo abolicionismo e republicanismo, realiza-se diferentemente dos românticos, porque repassada de grandes novidades temáticas e formais.2
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