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Leia atentamente o texto abaixo para responder a questão.

Como estamos às vésperas de celebrar os 500 anos da palavra “utopia” e do romance filosófico de Thomas Morus que a consagrou, o momento é mais do que oportuno para examinar que novas feições ela adquiriu após tantos sonhos desfeitos e outros tantos pervertidos e que atualização lhe deram as expectativas geradas pela informática, pelas biotecnologias, pelas nanociências, pelas ciências cognitivas e as perspectivas de clonagem, ectogênese (fecundação de útero artificial), artificialização dos órgãos do corpo e prolongamento da vida, abertas por elas.

Seu étimo grego, significando não-lugar, lugar nenhum ou, trocadilhescamente, lugar da felicidade (eutropia), designou primeiro uma ilha dos mares do Novo Mundo, em que foi bater um navegante português ligado a Américo Vespúcio. Terra prodigiosa, em tudo diferente da Europa do século 16, a perfeição imperava em suas cinquenta e poucas cidades. Morus imaginou-a empolgado pela descoberta da América e do “novo homem” que a habitava. Se bem que a República platônica já configurasse uma utopia, foi na ilha “descoberta” por Rafael Hitlodeu que surgiu o conceito de utopia como representação imaginária de uma sociedade que tenha encontrado soluções exemplares para todos os seus problemas.

Outras sociedades ideais, fundamentadas em leis justas e instituições político-econômicas comprometidas com o bem-estar da coletividade, nasceram da imaginação de romancistas e pensadores, nos séculos seguintes, com particular insistência no século 19, auge do utopismo socialista de Charles Fourier, Étienne Cabet, Edward Bellamy e William Morris. A esses devaneios igualitários a dupla Marx-Engels combateu e contrapôs outro, supostamente científico, cuja caracterização como utopia pode livrar a cara do comunismo, mas não das sociedades que às suas ideias básicas deram concretude, a partir da revolução bolchevique, uma utopia que virou distopia.

A distopia é uma distorção ou uma mutação da utopia, um sonho que se transforma em pesadelo. A ficção científica e a literatura de antecipação são pródigas em fantasias do gênero. De Jules Verne (Capitão Nemo era um utopista) ao Aldous Huxley de Admirável Mundo Novo, ao Orwell de 1984 e ao Ray Bradbury de Fahrenheit 451. Serão todos lembrados ao longo do ciclo.

(Adaptação da matéria “Um sonho de 500 anos”, de Sérgio Augusto – jornal O Estado de São Paulo, 02 de agosto de 2015)

De acordo com as ideias desenvolvidas no texto, assinale a opção incorreta.

 

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