Magna Concursos
3020859 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: MPE-PI

Os filósofos do Iluminismo observavam um preceito simples, mas obviamente muito poderoso. Quanto mais formos capazes de compreender racionalmente o mundo, e a nós mesmos, mais poderemos moldar a história para nossos próprios propósitos. Temos de nos libertar dos hábitos e preconceitos do passado a fim de controlar o futuro.

Segundo essa concepção, com o maior desenvolvimento da ciência e da tecnologia, o mundo iria se tornar mais estável e ordenado. O romancista George Orwell, por exemplo, anteviu uma sociedade com excessiva estabilidade e previsibilidade — em que nos tornaríamos todos minúsculos dentes de engrenagem de uma vasta máquina social e econômica.

O mundo em que nos encontramos hoje, no entanto, não se parece muito com o que eles previram. Em vez de estar cada vez mais sob nosso comando, parece um mundo em descontrole. Além disso, algumas das influências que, supunha-se antes, iriam tornar a vida mais segura e previsível para nós, entre elas o progresso da ciência e da tecnologia, tiveram muitas vezes o efeito totalmente oposto. A mudança do clima global e os riscos que a acompanham, por exemplo, resultam provavelmente de nossa intervenção no ambiente. Não são fenômenos naturais. A ciência e a tecnologia estão inevitavelmente envolvidas em nossas tentativas de fazer face a esses riscos, mas também contribuíram para criá-los.

Deparamo-nos com situações de risco que ninguém teve de enfrentar na história passada — das quais o aquecimento global é apenas uma. Muitos de novos riscos e incertezas nos afetam onde quer que vivamos, não importa quão privilegiados ou carentes sejamos. Eles estão inextricavelmente ligados à globalização. A ciência e a tecnologia tornaram-se elas próprias globalizadas.

Anthony Giddens. Mundo em descontrole. Rio de Janeiro: Record, 2005, p. 13-4 (com adaptações).

Julgue o próximo item, relativo às ideias do texto acima e às estruturas nele empregadas.

O emprego do futuro do pretérito em “iria se tornar” e “nos tornaríamos” justifica-se por terem as previsões dos filósofos iluministas se concretizado.

 

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