“Com a fé de quem olha do banco a cena
Do gol que nós mais precisava na trave
A felicidade do branco é plena
A pé, trilha em brasa e barranco, que pena
Se até pra sonhar tem entrave
A felicidade do branco é plena
A felicidade do preto é quase
Olhei no espelho, Ícaro me encarou
Cuidado, não voa tão perto do Sol
Eles num guenta te ver livre, imagina te
ver rei
O abutre quer te ver de algema pra dizer:
Ó, num falei?!
No fim das conta é tudo Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão
Ela quis ser chamada de morena
Que isso camufla o abismo entre si e a humanidade
plena
A raiva insufla, pensa nesse esquema
A ideia imunda, tudo inunda
A dor profunda é que todo mundo é meu
tema”
(Ismália – Emicida, 2019) - Adaptado
*Ícaro: personagem da mitologia grega
*Ismália: poema de Alphonsus de Guimaraens
Fonte do texto: www.letras.mus.br. Acesso
em: 22 fev. 2022.
I – Pela leitura do texto de Emicida e considerando o contexto de produção da canção, é possível inferir que Ismália representa a mulher negra que sofre com a exclusão social.
II – A compreensão da relação intratextual estabelecida com a figura mitológica de Ícaro e com a personagem Ismália do poema de Alphonsus de Guimarães é fundamental para a compreensão do texto de Emicida.
III - A polissemia presente na palavra Ismália confere um efeito de sonoridade ao texto.
IV – O verso “Que isso camufla o abismo entre si e a humanidade plena” estabelece uma relação semântica de alternância com relação ao verso anterior.
V – Pelos versos da segunda estrofe, é possível inferir que o autor faz alusão ao preconceito existente com relação à ascensão social da população negra no Brasil.
É possível afirmar que estão INCORRETAS as sentenças expostas em: