Bauman destaca a mudança em que a sociedade ocidental está acometida. Para ele, o enfoque da mudança é perceptível a partir da mudança do próprio referencial teórico da Sociologia, que precisa abandonar a Centralidade do Trabalho em troca de uma nova abordagem que permita entender as novas formas de sociabilidade que se formam. Daí o Consumo se transformar no principal eixo mobilizador das relações sociais gerais. Assim, o autor constrói a teoria de que abandonamos o modelo de uma Sociedade de Produtores, que marcou o que ele chama de Modernidade Sólida, por um novo modelo de uma Sociedade de Consumidores, que gera a Modernidade Líquida. Como características fundamentais desse processo, temos:
I. Na sociedade de produtores, os indivíduos eram guiados pelo desejo de ter determinados objetos – as mercadorias – e o fetiche da mercadoria que foi conceituado por Karl Marx, os mobilizava a adquiri-los; mas ao mesmo tempo, a escolha do bem a ser consumido era guiada pelo sentimento de segurança gerado pelo bem, como por exemplo, a certeza de que o mesmo era eficiente ou iria durar muito.
II. Na sociedade de consumidores, ao contrário, o que guia o consumo das mercadorias é o prazer imediato e intenso gerado pelo próprio ato do consumo em si, o que, além de demarcar uma sociedade hedonista, também ilustra a opção por obter o produto e não em tê-lo. Dessa forma, o mais importante é o instante de obtenção em si e o prazer que gera. Com isso, o consumo se torna descartável – e o produto também – o que mobiliza o consumidor a procurar logo outro produto que substitua o antigo. Assim, enquanto que na sociedade de produtores o que guia o indivíduo é a segurança adquirida pela propriedade do bem (e os benefícios que este causa), na sociedade de consumidores, os indivíduos abdicam da segurança pelo prazer.
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