“Ainda que os senhores pudessem desejar – e às vezes exigir – que seus escravos trabalhassem dezoito horas por dia, os cativos precisavam de um descanso. No tempo que tinham para eles mesmos, reuniam nas ruas e mercados do Rio e dançavam nas praças nos dias de festa religiosa. Graças à diversidade étnica da cidade, criaram uma cultura afro-carioca nova que combinava muitas tradições africanas e luso-brasileiras. Forjaram „um bando" (umbanda) a partir de muitos grupos, e o que desenvolveram não era mais unicamente africano ou mesmo luso-brasileiro, mas uma mistura de costumes que aliviava o fardo da escravidão, transmitia tradições religiosas e contribuía para o desfrute de uma vida social”. (KARASCH. Mary C. A vida dos escravos no Rio de Janeiro (1808-1850). SP: Cia. das Letras, 2000, p. 292).
Apesar da autora pautar suas afirmações a partir da realidade da cidade do Rio de Janeiro, essas vivências poderiam ser encontradas em todo o Brasil escravista. Analise as afirmativas abaixo:
I. O sistema escravista implantado no Brasil era complexo e, apesar das tentativas de coisificação dos escravos, eles resistiram de múltiplas formas, inclusive, a partir de estratégias que garantiram a manutenção de elementos da cultura africana.
II. Apesar de ser proibido usar dialetos africanos nas ruas das cidades, as heranças linguísticas se mantinham e garantiam uma integração maior entre os escravos crioulos e ladinos contribuindo para a manutenção dos laços culturais, principalmente entre os mais jovens.
III. Com a escravidão, atos de conduta social típicos da sociedade africana, como o respeito aos mais velhos e às mulheres, foram abandonados. Os escravos deveriam reverenciar apenas as hierarquias definidas pela escravidão, por isso eram obrigados a pedir bênçãos e fazer mesuras aos livres e libertos.
IV. A diversidade de grupos étnicos, que compunham o contingente escravo espalhado pelo Brasil, tinha como consequência uma grande quantidade de tradições religiosas, reflexo da multiplicidade cultural característica do continente africano.
É CORRETO apenas o que se afirma em: