Texto 1
A língua é uma instituição social, e como tal é instrumento da sociedade, o mais rico e complexo dos instrumentos humanos. Todavia, mesmo enquanto mero caráter instrumental, pode prescindir do critério de correção? Todo instrumento implica um uso correto ou incorreto, eficaz ou ineficaz. O erro é inerente à condição humana e será descartável em matéria tão delicada e sutil como a linguagem? A experiência quotidiana ensina que todo falante a cada passo comete erros (orações mal formadas, ambiguidades às vezes cômicas, etc.) e se corrige a si próprio. A correção é inerente a todo ato de comunicação.
(ROSENBLAT, Angel. apud FIORIN, José Luiz; SAVIOLI, Platão. Para entender o texto:
leitura e redação. 16. ed. São Paulo: Ática, 2002. p. 236.)
Texto 2
Quanto ao nome que se deve dar à língua falada aqui, acho que a designação português brasileiro (empregada como termo técnico pelos pesquisadores) já dá conta de mostrar que estamos nos referindo a uma língua diferente da língua dos portugueses. É importante reconhecer essas diferenças, deixar de considerá-las como “erros” e admitir que são, de fato, regras que pertencem à gramática da língua materna de 170 milhões de seres humanos. [...]
Acreditar que existem erros na língua falada ou que ela pode se corromper é tão científico quanto acreditar que a Terra é plana e o Sol gira em torno dela, ou que as moscas nascem da carne podre. É triste verificar que esse folclore linguístico, que não resiste à menor análise empírica, ainda vigora com tanta intensidade no senso comum dos brasileiros. Pior ainda é que ele seja alimentado diariamente pelos meios de comunicação, que dão roupagem eletrônica de última geração ao que existe de mais arcaico, rudimentar e tosco em termos de concepção de língua.
(BAGNO, Marcos. Brasil e Portugal já falam duas línguas diferentes.
In: Galileu, Globo, São Paulo, p. 88, fev. 2002.)
Dos textos, pode-se depreender que