Texto para a questão.
À televisão
Teu boletim meteorológico
me diz aqui e agora
se chove ou se faz sol.
Para que ir lá fora?
A comida suculenta
que pões à minha frente
como-a toda com os olhos.
Aposentei os dentes.
Nos dramalhões que encenas
há tamanho poder
de vida que eu próprio
nem me canso de viver.
Guerra, sexo, esporte
- me dás tudo, tudo.
Vou pregar minha porta:
já não preciso do mundo.
(José Paulo Paes. Prosas seguidas de Odes mínimas. São Paulo: Companhia das Letras, 1992).
Em uma “leitura interpretativa” do título do poema acima (“À televisão”), é possível deduzir que o autor: