Um país fora dos padrões
Desemprego alto e governo lento elevam incerteza e travam a reação econômica
Campeão do desemprego entre os grandes países emergentes, o Brasil precisa do auxílio especial aos mais pobres como forma de conter uma catástrofe. Com 13,9 milhões de pessoas em busca de uma vaga, número equivalente a 13,9% da força de trabalho, o País fechou 2020 com o dobro da desocupação registrada na OCDE, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. No trimestre final do ano passado, os desocupados eram, em média, 6,9% da população ativa dos 37 países da organização. A taxa ficou abaixo de 10%, nesse período, em 32 desses países. [...]
O desemprego muito alto, no entanto, mostra apenas a parte mais visível, e de maior efeito imediato, dos problemas do mercado de trabalho. O subemprego continuou muito amplo, os desalentados eram 5,5% da força de trabalho e 39,5% dos ocupados – por conta própria ou assalariados – estavam na informalidade. Em 15 Estados a informalidade superou 45% da população ocupada. Em 9, todos do Norte e do Nordeste, ultrapassou 50%.
Dezenas de milhões das famílias mais vulneráveis puderam viver um pouco melhor, no ano passado, com o auxílio emergencial. Interrompida a partir de janeiro, essa ajuda agora deve voltar. Com isso, as famílias mais pobres terão garantida pelo menos a alimentação ou alguma alimentação. Mesmo com ajuda, o acesso à comida está muito complicado. Depois das altas no segundo semestre de 2020, os alimentos continuam caros, as pressões inflacionárias são preocupantes. [...]
Imprevidência e descuido, no entanto, são marcas da maior parte do governo. Como se os piores efeitos da pandemia devessem acabar em 31 de dezembro, a equipe econômica negligenciou, ao desenhar a proposta de Orçamento para 2021, as ações especiais de enfrentamento da crise. Por isso o auxílio emergencial desapareceu muito cedo, embora milhões de famílias precisassem de ajuda para as despesas mais importantes. Sem um claro programa de socorro aos necessitados, de sustentação da retomada econômica e de arrumação de suas contas, o governo contribuiu amplamente para o aumento da incerteza, para a redução da confiança de empresários e consumidores e para a instabilidade no mercado financeiro.
Nos fragmentos abaixo elencados, todos os constituintes oracionais que aparecem em destaque exercem a função sintática de:
O subemprego continuou muito amplo, os desalentados eram 5,5% da força de trabalho e 39,5% dos ocupados – por conta própria ou assalariados – estavam na informalidade. [...] Mesmo com ajuda, o acesso à comida está muito complicado. Depois das altas no segundo semestre de 2020, os alimentos continuam caros, as pressões inflacionárias são preocupantes. [...]