Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Só acredito em você se...
- Já reparou como as pessoas sempre mudam de opinião quando confrontadas com dados que
- contradizem suas convicções mais profundas? Pois é, eu também nunca vi isso acontecer. E tem
- mais: a impressão que dá é que, ao ouvir provas esmagadoras contra aquilo que acredita, o
- indivíduo reafirma as suas opiniões. O motivo é que esses dados colocam em risco sua visão de
- mundo.
- Os criacionistas, por exemplo, rejeitam as provas da evolução oferecidas por fósseis e pelo
- DNA, _______ temem que os poderes laicos estejam avançando sobre o terreno da fé religiosa.
- Os inimigos das vacinas desconfiam dos grandes laboratórios farmacêuticos e acham que o
- dinheiro corrompe a medicina. Isso os leva a defender que as vacinas causam autismo, embora o
- único estudo que relacionava essas duas coisas tenha sido desmentido há bastante tempo, e seu
- autor tenha sido acusado de fraude. Quem defende as teorias da conspiração em torno dos
- atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos se fixa em minúcias como o ponto de
- fusão do aço nos edifícios do World Trade Center, pois acredita que o Governo mentia e realizou
- operações secretas a fim de criar uma nova ordem mundial. Os negacionistas da mudança
- climática estudam os anéis das árvores, os núcleos do gelo e as ppm (partes por milhão) dos
- gases de efeito estufa _______ defendem com paixão a liberdade, em especial a dos mercados e
- empresas, de agirem sem precisar se ater às rigorosas normas governamentais. Os defensores
- dessas teorias ______ em comum a convicção de que seus adversários céticos colocam em risco sua
- visão de mundo. E rejeitam os dados contrários ______ suas posturas por considerarem que _____
- do lado inimigo.
- O fato de as convicções serem mais fortes que as provas se deve a dois fatores: a
- dissonância cognitiva e o chamado efeito contraproducente. No clássico When Prophecy
- Fails (tradução: quando a profecia falha), o psicólogo Leon Festinger e seus coautores escreviam,
- já em 1956, a respeito da reação dos membros de uma .......... que acreditava em OVNIs quando
- a espaçonave que esperavam não chegou na hora prevista. Em vez de reconhecerem seu erro,
- “continuaram tentando convencer o mundo inteiro” e, “numa tentativa desesperada de eliminar
- sua dissonância, dedicaram-se a fazer uma previsão atrás da outra, na esperança de acertar
- alguma delas”. Festinger chamou de dissonância cognitiva a incômoda ............. que surge
- quando duas coisas contraditórias são pensadas ao mesmo tempo.
- Em seu livro Mistakes Were Made, But Not By Me (tradução: foram cometidos erros, mas não
- por mim), dois psicólogos sociais, Carol Tavris e Elliot Aronson (aluno de Festinger), documentam
- milhares de experimentos que demonstram que as pessoas manipulam os fatos para adaptá-los
- às suas ideias preconcebidas a fim de reduzirem a dissonância. Sua metáfora da “pirâmide da
- escolha” situa dois indivíduos juntos no .............. da pirâmide e mostra como, ao adotarem e
- defenderem posições diferentes, começam a se distanciar rapidamente, até que acabam em
- extremos opostos da base da pirâmide.
- Em outras experiências, os professores Brendan Nyhan, do Dartmouth College (EUA), e Jason
- Reifler, da Universidade de Exeter (Reino Unido), identificaram um fator relacionado a essa
- situação: o que chamaram de efeito contraproducente, “pelo qual, ao tentar corrigir as
- percepções equivocadas, estas se reforçam no grupo”. _______? “_______ colocam em perigo
- sua visão de mundo ou de si mesmos.”
- Se os dados que deveriam corrigir uma opinião só servem para piorar as coisas, o que
- podemos fazer para convencer o público sobre seus equívocos? Pela minha experiência, aconselho
- manter as emoções à margem; discutir sem criticar; ouvir com atenção e tentar expressar
- detalhadamente a outra postura; mostrar respeito; reconhecer que é compreensível que alguém
- possa pensar dessa forma; tentar demonstrar que, embora os fatos sejam diferentes do que seu
- interlocutor imaginava, isso não significa necessariamente uma alteração da sua visão de mundo.
- Talvez essas estratégias nem sempre sirvam para levar as pessoas a mudarem de opinião, mas é
- possível que ajudem a que não haja tantas divisões desnecessárias.
(Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/26/ciencia/1516966815_366077.html - Texto adaptado)
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas das linhas 07, 16 e 40 (duas ocorrências).
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