Aquele verão foi seco e cruel. Quando o áspero vento norte soprava Ana Terra ficava de tal maneira irritada, tão brusca de modos e palavras, que D. Henriqueta murmurava: “O que essa menina precisa mesmo é casar duma vez...” Ana revoltava-se. Casar? O que ela precisava era mudar de vida, visitar de vez em quando o Rio Pardo, ir a festas, ter amigas, ver gente. Aquela solidão ia acabar deixando-a doida, doida varrida... Mas na presença do pai não dizia nada. Recalcava a revolta, prendia-a no peito, apertava os lábios para que ela não se lhe escapasse pela boca em palavras amargas. Nas noites abafadas dormia mal, ____ levantava-se, ia para a frente da casa, ficava olhando as coxilhas e o céu, tendo nos olhos um sono pesado e na cabeça, no peito, no corpo todo uma ânsia que a mantinha desperta e agitada. Não raro, altas horas da noite acordava com uma sede desesperada, metia a caneca na talha, bebia em longos goles uma água que a mornidão tornava grossa; e ia bebendo, caneca sobre caneca, para no fim ficar com o estômago pesado sem ter saciado a sede nem aliviado a ardência da garganta. Muitas vezes o sono só lhe vinha de madrugada alta, e, vendo pela cor do horizonte que o dia não tardava a raiar, concluía que não adiantava ir para a cama, pois, dentro de pouco teria de acender o fogo para aquentar a água do chimarrão. O remédio, então, era molhar os olhos, lavar ___ cara, caminhar ao redor do rancho para espantar ___ sonolência.
Adaptado de: “O Tempo e o Vento: O Continente I”, de Érico Veríssimo.
Assinale a única alternativa em que o elemento sublinhado NÃO desempenha a função de objeto direto na oração.