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2176660 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: UTFPR
Orgão: UTFPR
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O ‘making off’ do ‘pout-pourri’

Sérgio Rodrigues

Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/

colunas/sergio-rodrigues/2022/02/o-making-off-do-pout-

pourri.shtml>

Acesso em 25 de fevereiro de 2022.

Quem hoje sofre ao ver a língua do dia a dia poluída por bijuterias anglófilas como “enderecei o problema”, “é sobre isso” e “call” talvez não saiba que, não faz tanto tempo, era da França que importávamos nossos brilharecos verbais.

(…)

Uma conclusão a que chegamos ao examinar mais de perto a francofilia recente de nossa imprensa é que ela representava uma tentativa meio desajeitada de democratizar o acesso a um conhecimento que, poucas décadas antes, fazia questão de excluir na cara dura a massa dos leitores.

Com todo o seu pedantismo e toda a sua jequice, salpicar francesices no texto como quem tempera generosamente um cassoulet já era, na minha infância, um avanço inclusivo.

A geração anterior de intelectuais brasileiros – inclusive os mais progressistas – gostava mesmo era de citar estrofes inteiras de Baudelaire sem tradução.

Traduzir para quê? Falar francês, privilégio de poucos, era o pedágio mínimo para entrar no papo. Classismo sempre foi coisa nossa.

Como se sabe, aquela onda francófila foi perdendo o élan até se quebrar, antes mesmo do fin de siècle, contra o imenso rochedo anglófilo que hoje é dominante na paisagem.

Agora o dernier cri – o último grito, aquilo que há de mais quente – é endereçar um problema no fim do dia. Hélas, vai passar também.

Analise atentamente as assertivas a seguir:

I) O adjetivo “poluída” pode ser substituído, sem alteração ou prejuízo de sentido no contexto empregado, pelo termo “enriquecida”.

II) As expressões “uma tentativa meio desajeitada” e “um avanço inclusivo” poderiam ser substituídas, respectivamente, sem alteração ou prejuízo de sentido no contexto empregado, por “uma alternativa” e “uma grande vantagem”.

III) Apesar de ter sido publicado em um veículo de comunicação impresso tradicional, o jornal Folha de São Paulo, o texto apresenta um estilo mais informal, o que se comprova pelas expressões “como quem tempera um cassoulet”, “entrar no papo” e “na cara dura”.

IV) A leitura compreensiva do artigo exige do leitor alguns conhecimentos que não foram explicitamente veiculados no texto, tais como “estrofes inteiras de Baudelaire” e a tradução de alguns termos em francês.

Considerando as afirmações anteriores, estão corretas:

 

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