Costumo comparar a teoria arqueológica a uma caixa de ferramentas. Entendo as diferentes teorias como ferramentas que podem ser mais ou menos adequadas ao que um pesquisador se propõe. Diante de um problema a resolver, é preciso abrir a caixa e buscar a ferramenta que melhor se ajusta ao trabalho a ser realizado. Se alguém precisar apertar um parafuso, vai necessitar uma chave de fenda, e neste caso um alicate será de todo inútil. Da mesma forma, para se bater um prego, um serrote será imprestável e só um martelo cumprirá bem essa função. E assim devem ser entendidas as teorias. No entanto, não raro ouço comentários que me sugerem que teoria arqueológica no Brasil é uma questão de fé: por exemplo, “sou processualista e me recuso a trabalhar com outra perspectiva”. Quando, na verdade, a questão deveria ser colocada em outros termos: “o processualismo é a ferramenta que melhor se adequa ao problema que tenho a resolver”. Também nunca é demais lembrar que recusas dessa natureza servem muitas vezes – e convenientemente – para encobrir desconhecimento e insuficiências.
LIMA, Tânia Andrade de. Teoria arqueológica em descompasso no Brasil: o caso da Arqueologia Darwiniana. Revista de Arqueologia, 19, 2006, p. 137.
De acordo com o texto acima, é correto o que se afirma na alternativa: