Leia o texto para responder às questões de números 35 a 42.
Professores que encantam: quem são e o que fazem
Na cultura oriental, afirma-se que nenhum profissional é tão admirado e respeitado quanto o professor. Para se ter uma ideia do grau de apreço que lhe é conferido no Japão, por exemplo, costuma-se dizer que a única pessoa que não precisa se curvar diante do imperador é exatamente o professor. Ainda que seja mito, esse tratamento distinto não deixa de ter algum fundamento lógico, especialmente se considerarmos que sem professores não podem existir “bons imperadores”, pelo menos nos países minimamente civilizados. Na verdade, seria um gesto de submissão da autoridade legal à autoridade que vem do conhecimento.
De fato, na base de todo o progresso que a nossa civilização tem experimentado, sempre encontramos o professor como personagem insubstituível no processo de produção e difusão do saber. Nas sociedades baseadas no conhecimento, é praticamente impossível encontrar alguém que, de alguma forma, não reconheça o valor desse profissional. Alguns conseguem encantar pelo esmero didático; outros, pela relevância das atividades de pesquisa a que se dedicam. Mas, no geral, professores que se tornam inesquecíveis são aqueles que marcam a vida dos seus alunos e da sociedade como um todo com o trabalho que realizam.
Importa esclarecer, contudo, que encantar não significa transformar a sala de aula ou os laboratórios num parque de diversões. Pelo contrário: encantar significa ajudar o aluno a pensar, a superar suas dificuldades e a dar um passo à frente rumo à concretização de seus ideais. Para tanto, não basta ministrar aulas atraentes ou divertidas. Mais que isso, é preciso transformar a sala de aula num espaço de superação das dificuldades, do preconceito, das barreiras familiares, sociais e das próprias limitações. Isso pressupõe humanizar-se a sala de aula, trabalhar valorizando-se as etnias, a diversidade cultural, as crenças, a individualidade do aluno, seus sonhos e seu projeto de vida.
Apesar de toda a dedicação e de todo o esforço que o professor empreende para promover o homem, alguns ainda são duramente ameaçados ou recebem como prêmio a morte no ambiente de trabalho, como temos visto recentemente. Triste é o país que desencanta, aniquila e mata seus professores. É bom lembrar que isso pode ser feito por diferentes meios. Assim agindo, a sociedade está matando o seu próprio futuro. Sim, porque a história comprova que sem professores e escolas capazes de “encantar” não há garantia de futuro melhor – e muito menos de justiça social.
(José Maria Dias Filho, “Professores que encantam: quem são e o que fazem”. Folha de S.Paulo, 29.07.2023. Adaptado)
Com base em Koch e Elias (2011), na passagem do terceiro parágrafo – Importa esclarecer, contudo, que encantar não significa transformar a sala de aula ou os laboratórios num parque de diversões. Pelo contrário: encantar significa ajudar o aluno a pensar, a superar suas dificuldades e a dar um passo à frente rumo à concretização de seus ideais. –, o encadeamento por justaposição é do tipo