INSTRUÇÃO:
Leia atentamente o texto abaixo
para responder à questão 30
Torno a ver-vos, ó montes; o destino
Aqui me torna a pôr nestes outeiros,
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros
Pelo traje da Corte, rico e fino.
Aqui estou entre Almendro, entre Corino,
Os meus fiéis, meus doces companheiros,
Vendo correr os míseros vaqueiros
Atrás de seu cansado desatino.
Se o bem desta choupana pode tanto,
Que chega a ter mais preço, e mais valia
Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto,
Aqui descanse a louca fantasia,
E o que até agora se tornava em pranto
Se converta em afetos de alegria.
(Cláudio Manoel da Costa. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78-9.
Alfredo Bosi, em seu livro História Concisa da Literatura Brasileira (São Paulo: editora Cultrix, 2006), afirma que tivemos dois momentos do Arcadismo no Brasil: o poético, em que o retorno à tradição clássica dialoga com os modelos e a valorização da natureza e da mitologia; e o ideológico, influenciado pela filosofia presente no Iluminismo, que criticou a burguesia culta, os abusos da nobreza e do clero. Dessa forma, ao considerarmos o soneto de Cláudio Manoel da Costa e os elementos constitutivos do Arcadismo brasileiro, assinale a opção em que se estabelece a relação entre o poema e o momento histórico de sua produção.