Pêndulo persa
Pressionado por coalizão regional e pelos EUA, Irã endurece com novo presidente
Apesar de promover eleições de forma regular, a teocracia iraniana não é uma democracia. Fórum de luminares do regime, o Conselho dos Guardiões veta candidatos inadequados ideologicamente.
De tempos em tempos, contudo, o pêndulo do país persa se move, dando algum sinal de vitalidade ao ossificado sistema político da revolução de 1979, que é liderado pelo aiatolá Ali Khamenei.
Assim, alternaram-se moderados como Mohammad Khatami e radicais como Mahmoud Ahmadinejad, que foi substituído novamente por um nome mais suave, Hassan Rouhani, em 2013.
Na sexta-feira (18/06/2021), 62% dos eleitores escolheram presidente um ultraconservador, Ebrahim Raisi. O menor comparecimento às urnas da história indica em si um protesto contra a natureza do pleito, além de mostrar o impacto da má gestão da pandemia e da repressão a protestos desde 2017.
O Irã constitui um dos polos vitais do precário equilíbrio estratégico do Oriente Médio, e Raisi é uma resposta do seu governo ao cerco sofrido desde 2017, quando Donald Trump assumiu o poder.
O republicano retirou Washington do acordo, de resto problemático, que coibia o desenvolvimento de armas nucleares por Teerã.
Em sua primeira entrevista, Raisi disse a que veio: quer concessões americanas para voltar a negociar a questão nuclear como deseja Joe Biden, não aceita conversar com o presidente americano e descarta colocar seus preciosos mísseis balísticos em qualquer negociação.
Otimistas verão na fala de Raisi abertura para discutir a guerra por procuração contra os sauditas no Iêmen, mas sob seus termos. Tudo indica que Biden não terá vida fácil com o novo presidente.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 21.06.2021)
No trecho do 4º parágrafo “O menor comparecimento às urnas da história indica em si um protesto contra a natureza do pleito, além de mostrar o impacto da má gestão da pandemia e da repressão a protestos desde 2017.”, a sequenciação textual se dá por meio de