Texto para os itens de 1 a 13.
1 Hoje, 50% das pessoas vivem nas cidades e a estimativa é que 80% da população mundial esteja vivendo nos
centros urbanos, a maior parte, nas metrópoles, até 2050. Isso significa em torno de sete bilhões de pessoas que dividirão
condomínios, ruas, praças, centros comerciais e outros espaços urbanos. Possivelmente, se não houver uma mudança na
4 forma de ocupação e exploração das cidades, a vida nesses ambientes ficará insustentável e suscetível a crises energéticas,
hídricas e de combustíveis fósseis. Segundo projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2050, 60%
da população brasileira será adulta (terá em torno de 30 anos de idade), o que aumentará substancialmente à demanda
7 por moradias.
Absorver o crescimento populacional com o menor impacto ambiental possível e criar moradias, espaços privados e
públicos que permitam e incentivem o convívio humano e as relações interpessoais são dois grandes desafios do urbanismo
10 sustentável, cujos ideais surgiram da urgência de minimizar os impactos ambientais causados pela superpopulação e pelo
crescimento desenfreado das cidades.
Referência mundial em urbanismo sustentável, o arquiteto e urbanista dinamarquês Jan Gehl, entusiasta dos lugares
13 pensados pelas pessoas e para as pessoas (people friendly places), afirma que o maior desafio atualmente é tornar as cidades
habitáveis, saudáveis, seguras e sustentáveis. Gehl cunhou a expressão “arquitetura barata para gasolina”, hoje utilizada por
urbanistas de cidades sustentáveis em todo o mundo. Nesse novo urbanismo, voltado para as pessoas e para o ambiente,
16 a primeira regra é acabar com essa arquitetura impulsionada pela acessibilidade do combustível fóssil: com a facilidade
de deslocamento de carro para os grandes centros, as periferias cresceram desordenadamente e essa dependência dos
automóveis, além de isolar os indivíduos e torná-los mais sedentários, é uma das razões da poluição atmosférica.
19 Entre as ações determinantes do urbanismo sustentável destacam-se o desenho urbano pautado pela vida
pública, para que as pessoas caminhem mais, saiam dos espaços privados e passem mais tempo em espaços públicos; a
diversificação do uso desses espaços como forma de incentivar sua ocupação, que, por sua vez, os torna mais seguros, já que
22 a movimentação de pessoas desencoraja a criminalidade; a criação de espaços que permitam experiências multissensoriais,
o que requer a adequação das construções às pessoas, evitando-se as megaobras que desconsideram a escala humana e
desestimulam o contato e a experiência pessoa!; a valorização do transporte público e do transporte compartilhado, além do
25 incentivo a alternativas baratas e eficientes de transporte, como aluguel de bicicleta para quem precisa se deslocar dentro do
perímetro urbano; o fortalecimento da economia e da identidade local, por meio do incentivo aos pequenos comércios e da
criação de locais próprios para a realização de eventos artísticos e culturais; o cuidado e a manutenção de áreas verdes, para
28 a realização de atividades ao ar livre, como forma de diminuir o estresse e contribuir para o bem-estar da população.
Internet: <gi.globo.com> (com adaptações).
Quanto aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto, julgue os itens de 6 a 13.
Na oração “se não houver uma mudança na forma de ocupação e exploração das cidades” (linhas 3 e 4), o emprego do verbo na terceira pessoa do singular justifica-se por sua concordância com o termo “mudança”, que é o núcleo do sujeito da referida oração.