Texto II
O Verde
Estranha é a cabeça das pessoas. Uma vez, em São Paulo, morei em uma rua que era dominada por uma árvore incrível. Na época da floração, ela enchia a calçada de cores. Para usar um lugar-comum, ficava sobre o passeio um verdadeiro tapete de flores; esquecíamos o cinza que nos envolvia e vinha do asfalto, do concreto, do cimento, os elementos característicos da cidade. Percebi certo dia que a árvore começava a morrer. Secava lentamente, até que amanheceu inerte, sem uma folha. É um ciclo, ela renascerá, comentávamos no bar ou na padaria. Não voltou. Pedi ao Instituto Botânico que analisasse a árvore, e o técnico concluiu que ela fora envenenada. Surpresos, nós, os moradores da rua, que tínhamos na árvore um verdadeiro símbolo, começamos a nos lembrar de uma vizinha de meia-idade que todas as manhãs estava ao pé da árvore com um regador. Cheios de suspeitas, fomos até ela, indagamos, e ela respondeu com calma, os olhos brilhando, agressivos e irritados:
- Matei mesmo essa maldita árvore.
- Por quê?
- Porque na época da flor ela sujava minha calçada, eu vivia varrendo essas flores desgraçadas.
BRANDÃO, I. de L. Manifesto verde. São Paulo, Círculo do Livro, 1985. p. 16-17. (Adaptado)
No trecho “... morei numa rua que era dominada por uma árvore incrível”, a palavra “que” é um pronome relativo que faz a retomada do termo anterior “uma rua”. Entre as opções a seguir, o “que” exerce esse mesmo papel em: