Palavreado
“Lorota”, para mim, é uma manicura gorda. É explorada pelo namorado, Falcatrua. Vivem juntos num pitéu, um apartamento pequeno. Um dia batem na porta. É Martelo, o inspetor italiano.
- Dove está il tuo megano?
- Meu quê?
- Il fistulado del tuo matagoso umbráculo.
- O Falcatrua? Está trabalhando.
- Sei. Com sua tragada de perônios. Magarefe, Barroco, Cantochão e Acepipe. Conheço bem o quintal.
São uns melindres de marca maior.
- Que foi que o Falcatrua fez?
- Está vendendo falácia inglesa enlatada.
- E daí?
- Daí que dentro da lata não tem nada. Parco manolo!
(VERISSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 76.)
Há, no texto, o predomínio da cena sobre sumário. Por isso, o foco narrativo dominante é