“(...) a marcha do romance moderno (do se?culo XVIII ao comec?o do se?culo XX) foi no rumo de uma complicac?a? o crescente da psicologia das personagens, dentro da inevita? vel simplificac?a? o te? cnica imposta pela necessidade de caracterizac?a? o. Ao fazer isto, nada mais fez do que desenvolver e explorar uma tende?ncia constante do romance de todos os tempos, acentuada no peri?odo mencionado, isto e?, tratar as personagens de dois modos principais: 1) como seres i?ntegros e facilmente delimita? veis, marcados duma vez por todas com certos trac? os que os caracterizam; 2) como seres complicados, que na?o se esgotam nos trac?os caracteri?sticos, mas te?m certos poc?os profundos, de onde pode jorrar a cada instante o desconhecido e o miste?rio”.
(CANDIDO, A. A personagem do romance. In: CANDIDO, A. et al. A personagem de ficção. São Paulo: Perspectiva, 1987.)
“Um deles, de alto porte, conhecia-se imediatamente que era um fidalgo pela altivez do gesto e pelo trajo de cavalheiro. Vestia um gibão de velado preto com alamares de seda cor de café no peito e nas aberturas das mangas; os calções do mesmo estofo, e também pretos, caíam sobre as botas longas de couro branco com esporas de ouro.
(...)
Este fidalgo era D. Antônio de Mariz que, apesar de seus sessenta anos, mostrava um vigor devido talvez à vida ativa; trazia ainda o porte direito, e tinha o passo firme e seguro como se estivesse na força da idade”.
(ALENCAR, J. O Guarani. 17 ed. São Paulo: Melhoramentos, 1972.)
O excerto do romance O Guarani, de José de Alencar, ilustra a forma como a personagem D. Antônio de Mariz é descrita na obra. O estilo do autor para compor a personagem, considerando as duas tendências de tratamento das personagens, de Antonio Candido, no trecho citado, indica: