Leia o texto a seguir para responder à questão:
Quando a ciência encontra o humano: a trajetória de
um médico que enfrenta o câncer de próstata
Hoje, apresento a minha aula da vida: não apenas como
médico e pesquisador, mas como alguém que viveu no
próprio corpo aquilo que estuda diariamente – o câncer de
próstata.
O resultado do exame trouxe uma verdade incômoda:
mesmo conhecendo profundamente a medicina e tendo
acesso à tecnologia mais avançada, eu estava vulnerável
como qualquer homem.
Diante de três caminhos, precisei escolher. O primeiro, o
mais tradicional, seria a cirurgia imediata, mas com chance
maior de falhas. O segundo, apelidado por mim de “mítico”,
reunia promessas milagrosas e pouco resultado real. E o
terceiro, o mais longo, exigia paciência e disciplina: uma preparação com novos medicamentos que reduzem a força do
tumor, seguida da cirurgia. Foi esse que abracei, por acreditar na ciência e confiar que a pesquisa moderna ainda pode
abrir portas para resultados mais consistentes.
A escolha, no entanto, não me poupou do peso emocional. Os efeitos do tratamento foram intensos: um esvaziamento da energia, da disposição e até da identidade
masculina. Era como se apagassem um motor vital. Mas não
me entreguei. Segui com disciplina, exercícios e trabalho,
buscando manter vivo o meu propósito. Passei a sentir na
pele o que tantos pacientes me confidenciaram ao longo dos
anos. Entendi, de forma brutal e transformadora, que, por trás
de cada prontuário, há uma vida em suspensão, esperando
uma resposta, um gesto de esperança.
O que era previsível mudou de repente: novos exames mostraram que minha chance de resposta era mínima.
Pensei em desistir e partir logo para a cirurgia. Mas respirei
fundo e investiguei a resposta ao tratamento. Um exame
avançado revelou que o tumor havia encolhido mais de 80%.
Segui até o fim do protocolo. A cirurgia, então, foi um sucesso:
o tumor removido, as funções recuperadas, a vida retomada.
A ciência havia cumprido seu papel, mas o processo inteiro
me ensinou que a jornada emocional pode ser tão ou mais
difícil do que a jornada clínica.
O câncer me tirou certezas e dogmas, mas me deu algo
maior: a capacidade de olhar diferente para cada paciente,
para cada vida que confia em mim. Não sou mais o mesmo
médico, e esse é, hoje, o meu maior prêmio. Sou alguém que
já atravessou a tempestade e, por isso, pode oferecer mais
que técnica: pode oferecer presença, escuta e humanidade.
(Fabrício Carrerette. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao,
01.10.2025. Adaptado)
• “A escolha, no entanto, não me poupou do peso emocional.” (4º parágrafo)
• “Entendi, de forma brutal e transformadora, que, por trás de cada prontuário, há uma vida em suspensão...” (4º parágrafo)
• “O câncer me tirou certezas e dogmas...” (6º parágrafo)
No contexto em que estão empregadas, as expressões destacadas significam, correta e respectivamente:
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