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TEXTO PARA AS QUESTÕES DE 05 A 07

A saúde entre dois mundos


No Rio de Janeiro do século XIX, os médicos, cirurgiões

e boticários eram em sua maioria brancos e pertenciam a

classes sociais mais abonadas. Já os sangradores, curandeiros,

parteiras e amas de leite eram quase sempre escravos, libertos

5 e pessoas livres empobrecidas, entre elas imigrantes e africanos

livres. Era essa população desfavorecida que tratava dos

problemas de saúde mais urgentes de quem precisava, não

importava se ricos ou pobres. Os sangradores ofereciam seus

serviços pelas ruas e praças das cidades e em lojas de barbeiros,

10 enquanto as parteiras trabalhavam em ambientes domésticos,

cuidando de questões relacionadas não apenas ao parto, mas

também a abortos e doenças genitais.

Entre 1808 e 1828, a Fisicatura-mor, órgão criado pelo

governo central e sediado no Rio de Janeiro, fiscalizava e

15 regulamentava as “artes de cura”, incluindo tanto as atividades

praticadas por médicos como aquelas desenvolvidas por

pessoas sem formação acadêmica. O órgão estabelecia que os

médicos deveriam diagnosticar e tratar de doenças internas do

corpo, enquanto cirurgiões se ocupavam de moléstias externas.

20 Já os boticários manipulavam os medicamentos receitados por

médicos e cirurgiões. “Oficialmente, sangradores e parteiras

deveriam lidar com casos simples de doença e fazer apenas o

que médicos ou cirurgiões mandassem. Porém, a população

recorria a eles porque partilhava de suas concepções de doença

25 e saúde”, observa a historiadora Tânia Salgado Pimenta.

O cenário acima é descrito em Escravidão, doenças e

práticas de cura no Brasil (Outras Letras, 2016), organizado por

Tânia Pimenta e pelo historiador Flávio Gomes. No livro, eles

apresentam os resultados do projeto de pesquisa realizado na

30 Fiocruz entre 2013 e 2016. Os estudos indicam que ofícios

centrais à saúde da sociedade brasileira naquele momento

eram desempenhados por escravos e libertos, numa época em

que a medicina acadêmica disputava espaço com as práticas

populares de cura.

Christina Queiroz, Pesquisa FAPESP, Novembro de 2017. Adaptado.

O grupo que mais se distanciava das "artes de cura" (L. 15), de seus praticantes e dos tipos de doenças tratadas era o dos

 

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