Magna Concursos
3523473 Ano: 2006
Disciplina: Biologia
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB

Até 1956, a apicultura brasileira trabalhava unicamente com “raças” européias, conhecidas pela “mansidão”, mas pouco adaptadas às condições ambientais brasileiras. Por essa razão, a apicultura restringia-se ao sul do país e a produtividade era muito baixa. Nesse ano, um cientista brasileiro, Warwick Kerr, introduziu abelhas africanas no Brasil, ao trazer 49 colméias da África do Sul para o interior de São Paulo, pensando em criar uma variedade de abelhas híbridas, que reunisse a mansidão das européias com a resistência a doenças e a alta produtividade das africanas.

Um acidente precipitou os planos de Kerr: rainhas escaparam e colméias enxamearam, o que deu origem à africanização das abelhas da espécie Apis melifera em todo o país. Hoje, 90% das abelhas brasileiras são africanizadas e não manifestam a agressividade das africanas nem a mansidão das européias. Em compensação, são altamente produtivas e mais resistentes a doenças e a inimigos naturais. A produção brasileira passou de 6 mil toneladas para 30 mil toneladas anuais e, hoje, a apicultura pode desenvolver-se em outras regiões do país, como no estado do Piauí, que se transformou em grande produtor de mel.

Rumo norte cada vez mais mansas. In: Revista Globo
Rural, n.º 45, 1989, p. 58-64 (com adaptações).

Considerando o texto acima, julgue o item a seguir.

O texto ilustra um fenômeno evolutivo denominado adaptação, no caso específico o das abelhas aos ambientes brasileiros. Segundo a teoria de Darwin, a adaptação resulta de processos de seleção natural, durante os quais certos genótipos são mais favorecidos em determinados ambientes, de modo que podem produzir mais descendentes. O processo de adaptação de abelhas descrito no texto teve a contribuição de apicultores brasileiros, que promoveram a seleção de linhagens com certas características desejadas.

 

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