Texto base para a questão.
O horror anunciado
Livia de Almeida, Patrick Moraes, Letícia Pimenta e Alessandra Medina
Raiva, desespero, choro, dor, medo, revolta, solidariedade. Na semana passada, cariocas e fluminenses experimentaram os sentimentos que acompanham as grandes tragédias. Por 24 horas, assistimos impotentes à fúria da natureza contra toda a região metropolitana do Rio de Janeiro. Até quinta-feira (8), foram contabilizadas mais de 170 mortes no estado, além de 8.000 desabrigados e uma série de contratempos que fizeram pessoas dormir fora de casa e faltar ao serviço. O caos começou na segunda (5), quando uma frente fria despejou 288 milímetros de água nas ruas durante a noite (o equivalente a 375.000 piscinas olímpicas), inundando as principais artérias de comunicação, paralisando o trânsito, ilhando bairros inteiros. Nenhuma área passou impune, ninguém ficou incólume. Sem condições de controlar a situação, o prefeito Eduardo Paes fez um apelo à população na terça de manhã para que todos ficassem em casa. As aulas foram interrompidas, o comércio fechou. Naquele dia, a capital vibrante, orgulhosa de sua saga, de suas paisagens naturais, de seus habitantes ilustres ou anônimos, a Cidade Maravilhosa que encanta visitantes do Brasil e do mundo, o Rio da boemia bem-humorada, o Rio pujante que se prepara para ser protagonista da Copa do Mundo de 2014 e anfitrião da Olimpíada de 2016, transformou-se em uma imensa metrópole-fantasma. Carros boiavam em lugares improváveis, milhares de sacos plásticos estavam espalhados nas vias públicas e a água subia, subia. Nos dias que se seguiram, a situação piorou. Em razão das chuvas, diversos deslizamentos ocorreram em favelas do Grande Rio. No Morro do Bumba, em Niterói, famílias inteiras desapareceram e, quando a noite de quinta-feira chegou, doze corpos já haviam sido resgatados, mas a estimativa era que o número de mortos fosse maior. Foram cenas chocantes, revoltantes, dilacerantes. E, infelizmente, anunciadas.
Não faltaram avisos de que uma catástrofe com essas proporções poderia ocorrer. Recentemente, fenômeno meteorológico semelhante aconteceu em Angra dos Reis, matando 52 pessoas. A apenas 400 quilômetros de distância, São Paulo viveu um dilúvio de mais de quarenta dias, que trouxe uma série de aborrecimentos aos seus moradores. Era razoável supor que enfrentássemos, mais cedo ou mais tarde, uma quantidade de chuva como a que desabou por aqui. Até porque os temporais e suas nefastas consequências fazem parte da história do Rio de Janeiro. Pelas nossas características topográficas, com morros, praias, lagoas e mangues, estamos expostos a enchentes há pelo menos 200 anos – um problema que só piorou com a ocupação desordenada do solo urbano.
Veja – 14/04/2010.
Levando-se em consideração as informações do texto, assinale a alternativa que contém um comentário INCORRETO sobre ele: