bilhões: expresso Terra lotado
Um menino pobre nascido em outubro de 2011,
na Índia, pode imprimir um novo marco na história,
por ser o sétimo bilionésimo habitante do planeta.
Todas as estatísticas convergem: o país tem o maior
número de nascimentos no mundo – 27 milhões por
ano – e a incidência natural de nascimentos por sexo,
na região, favorece os meninos. Em 2018, a Índia de-
terá o “inacreditável” título de país mais populoso do
mundo, à frente da China.
O expresso Terra está lotado, mas é preciso dar
“mais um passinho à frente” para acomodar 9 bilhões
em 2030. Como vamos fazer isso?
Todas as gerações tiveram o seu “profeta do apo-
calipse” demográfico. Porém a grande crise não che-
ga, e a contagem aumenta, ano após ano, atualizan-
do a pergunta recorrente: até quando? Não há limite?
Quanta gente cabe no mundo? Afinal, há apenas
anos o planeta possuía 6 bilhões de habitantes. Há
100, em 1911, éramos somente 1,6 bilhão.
Uma resposta à ansiedade pode ser “9 bilhões”.
Segundo a ONU, a população mundial deverá estabi-
lizar-se em torno de 2050, atingindo o equilíbrio entre
nascimentos e mortes, com uma população entre
bilhões e 10,5 bilhões de habitantes - se não houver
imprevistos. A melhor aposta é 9 bilhões, em 2045.
Depois desse patamar, os números deverão começar
a diminuir, uma vez que o crescimento já estagnou na
maioria dos países em desenvolvimento.
O problema será organizar 9 bilhões. Sete bi-
lhões já dão trabalho. “É óbvio que, quanto mais
gente existir, maiores serão os impactos ambientais
e sociais”, diz o biólogo Paul Ehrlich, da Universidade
Stanford, nos Estados Unidos. “Os 2 bilhões a mais
até 2050 gerarão muito mais dano ambiental do que
os últimos 2 bilhões agregados, porque os padrões
de consumo são mais intensivos”, ressalta.
Mas o olhar pessimista também pode ser inver-
tido, e o crescimento demográfico ser visto como
sinal de prosperidade. A mortalidade infantil declina
e a expectativa de vida aumenta na maior parte dos
países. O esgoto, o saneamento e o tratamento da
água corrigiram a incubação de pestes e doenças
nas cidades, como tifo e cólera. A higiene e os anti-
bióticos elevaram a expectativa de vida europeia de
anos, em 1800, para 77 anos, em 2010. Apesar
da desigualdade do desenvolvimento tecnológico,
depois da Segunda Guerra Mundial os antibióticos e
a Revolução Verde ampliaram enormemente os po-
deres da medicina e da agricultura. A biotecnologia e
os alimentos processados industrialmente tornaram
os surtos de fome “nacionais” mais raros, mesmo am-
pliando o risco de epidemias, como a da vaca louca,
em 1992. Além disso, o crescimento econômico vem
aumentando a prosperidade dos países.
Com tanto crescimento, a espaçonave Terra
está cada vez mais pesada. Os cálculos indicam que
o consumo global ultrapassou a capacidade de rege-
neração do planeta em 1987 e, se continuarmos no
ritmo atual, a humanidade precisará de dois planetas.
Para os ambientalistas, a demanda econômica está
erodindo o solo, esgotando a água, poluindo a atmos-
fera e gerando montanhas de lixo cada vez maiores.
A espécie humana talvez seja uma “praga” sobre a
Terra.
ARNT, Ricardo. 7 bilhões: expresso Terra lotado Revista Planeta. São Paulo: Editora Três. jun. 2011, ano 39, n. 465. p. 22-28. Adaptado
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