Pandemia e o futuro da educação
A pandemia colocou em voga uma questão há muito debatida: o ensino online. Ela comprovou, de maneira praticamente unânime, a viabilidade desta modalidade de ensino, a qual foi adotada do ensino básico ao superior. Com a urgência para manter a educação funcionando, foi necessário transformar a educação presencial em remota. Somente isso já demonstrou alguns benefícios: a continuidade do ensino mantendo o isolamento social e, assim, garantindo a saúde de todos e todas. Além de que, para além da pandemia, a capacidade de aprender sem ter que sair de casa – o que, para os que já trabalham ou moram em cidades grandes, representa uma grande economia de tempo e, até mesmo, financeira.
A partir desse cenário, muitos defendem a reinvenção educacional, a potencialidade do ensino a distância para uma maior inclusão e acessibilidade, acreditando no EAD como o futuro da educação. A pandemia nos mostrou que a educação não precisa ser tradicional para ser eficaz, e as inovações podem transformá-la em até mais eficiente do que antes.
Em entrevista para o Estadão, Alessandra Montini, coordenadora do LabData da Fundação Instituto de Administração, afirma que “a tecnologia é uma aliada no sucesso educacional e minimiza os efeitos negativos impostos pelo isolamento social. Por isso, o retrocesso no póspandemia não pode ser uma alternativa. A integração entre o mundo presencial e o ambiente digital vai fazer parte da educação do futuro”. De fato, atualmente aposta-se muito em experiências figitais, em que o ensino a distância é combinado a encontros presenciais. Com isso, a frequência e finalidade de encontros presenciais são repensadas.
Essa experiência permite combinar as vantagens do ensino a distância com os benefícios do ensino presencial. Para Márcio Rosales, coordenador do Master in Business Innovation da Universidade de São Carlos, o ensino a distância combina o tempo flexível à qualidade rígida – enquanto o ensino presencial traz o tempo rígido e a qualidade flexível. Com base nisso, o professor defende que o modelo de ensino remoto irá “potencializar a Educação 4.0, e não acabar com os encontros presenciais, mas torná-los mais ricos”.
No entanto, se por um lado a pandemia demonstrou a potencialidade da educação remota, por outro mostrou também que a educação ainda precisa avançar nesse quesito. A educação remota pode – e deve – ser mais do que a mera transformação do ensino presencial em ensino remoto. Ela surge não apenas para transformar a nossa vida em mais prática, mas para revolucionar nossa forma de aprender, fornecendo-nos novas ferramentas que podem garantir um aprendizado mais eficaz, produtivo e divertido.
Esta é, justamente, a diferença entre ensino remoto e ensino a distância: enquanto o ensino remoto é o ensino meramente não presencial, muito utilizado na pandemia por ser uma solução rápida e acessível; o EAD é um modelo de educação, com metodologias e estruturas definidas e pensadas para garantir o aprendizado à distância. As escolas EAD frequentemente contam com plataformas completamente online e interativas, fundando uma nova forma de aprender.
De acordo com Luciano Sathler, membro do Comitê de Qualidade da Associação Brasileira de Educação a distância, transformar as atividades presenciais em digitais garante uma educação frágil e ineficaz. Ferramentas distintas de educação exigem modelos educacionais distintos.
Portanto, se é verdade que a pandemia nos ensinou a respeito da eficácia do ensino remoto, cabe a nós ir além: o ensino remoto funciona. Como torná-lo ainda mais eficaz para o futuro da educação? A resposta começa de uma forma simples: planejamento e desenvolvimento. Primeiramente, é necessário capacitar os professores e adotar estratégias que sejam efetivas do ponto de vista pedagógico. Em segundo lugar, para fornecer aos estudantes a melhor versão da educação que eles podem ter, pode-se articular ensino remoto com o digital learning, fazendo o melhor uso possível das ferramentas digitais à nossa disposição.
(Disponível em: https://ifesp.com.br/blog/educacao/ensinamentos-da-pandemia-para-o-futuro-da-educacao – texto adaptado especialmente para esta prova).
Sobre estratégias argumentativas, analise as seguintes assertivas:
I. O autor do texto se vale do argumento de autoridade mais de uma vez.
II. Não é possível identificar argumento de exemplificação no texto.
III. Há, pelo menos, um argumento por comprovação.
Quais estão corretas?