Para responder às questões 52, 53 e 54, considere o caso clínico abaixo.
M.A., 16 anos, sexo feminino, solteira, sem religião, mora com os pais e irmãos. É procedente de um munícipio do interior do RN. A paciente foi encaminhada pelo CAPS de sua região, internada no HUOL para elucidação diagnóstica e melhor manejo clínico do quadro. A adolescente afirma início de seus sintomas aos 13 anos quando mudou para uma escola de maior renome na sua cidade e passou a sofrer bullying por seu jeito de se vestir. Começou a evitar amizades e a se isolar. Nesse mesmo período, foi vítima de violência sexual e passou a temer pessoas, principalmente meninos. Refere tristeza mantida, alteração do sono e apetite, além de detestar o próprio corpo. Há 1 ano, passou a ouvir vozes pouco definidas, mas com comandos para se machucar e com conteúdo vexatório, associadas e pioradas ao quadro de tristeza. Recentemente, a paciente passou a apresentar quadro de agitação psicomotora com contrações musculares, acompanhadas de gritos e solilóquios, que duravam de 10 a 20 minutos e com necessidades de idas ao pronto socorro. Inicialmente, foram conduzidas como crises epilépticas. Evoluiu com isolamento social, comportamento de automutilação e tentativas de suicídio. No momento da internação, sua última crise de agitação psicomotora tinha ocorrido há 7 dias, apresentando ideação suicida com plano há 20 dias.
No momento de sua admissão nos leitos de psiquiatria, a paciente relata comportamentos de automutilação, tentativas prévias de suicídio e afirma que mantém ideação suicida (violência autoprovocada). Analise as afirmativas abaixo relacionadas a comportamentos de automutilação e suicídio.
I | A Lei nº 13.819, de abril de 2019, que institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio e altera a Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998 , determina a notificação compulsória do suicídio, da tentativa de suicídio e do ato de automutilação. Nos casos que envolverem criança ou adolescente, o conselho tutelar deverá receber a notificação. |
II | As notificações compulsórias de violência autoprovocadas não são de caráter sigiloso. |
III | Entre os vários fatores de risco para comportamento suicida em adolescentes, estão separação ou morte dos pais, abuso físico e sexual, comportamento suicida na família, bullying, abuso de álcool e outras drogas. Porém, não são considerados fatores de risco a orientação sexual e o baixo rendimento escolar. |
IV | Os primeiros dias de internação e o período de um mês após a alta hospitalar exigem redobrada atenção, assim como quando for necessário levar um paciente para exames ou alguma atividade no pátio do hospital. |
Das afirmativas, estão corretas