O movimento hippie colocou-se frontalmente(a) contra a sociedade que vive de necessidades criadas artificialmente (logo, contra o consumo); contrário à violência competitiva gerada pelo poder econômico e que termina fatalmente em guerra (“faça o amor, não faça a guerra”); e exibia publicamente esse amor numa forma de viver, comportar-se, vestir-se, criar, produzir e cuidar dos filhos que, para muitos, parecia um retrocesso ao assemelhar-se aos hábitos dos índios norte-americanos (o movimento surgiu em 1957, na Califórnia).
Entretanto, aquilo que o sistema burguês absorveu dos hippies promovendo e industrializando não impediu que, hoje, despidos(b) tanto dos hábitos burgueses quanto das exteriorizações hippies, a juventude do mundo insista ainda em comportamentos sociológicos característicos seus, como o combate ao machismo nos dois sexos, a aversão ao casamento legal, o abandono da noção de lar e sua substituição pela comunidade, a busca de papéis semelhantes em direitos e possibilidades para homem e mulher na manutenção da vida doméstica e no cuidado e educação(c) dos filhos, possibilitando maior liberdade social e profissional para a mulher. Somem-se a tudo isso as tentativas de relacionamento afetivo e sexual aberto ou múltiplo e a descoberta de que o desinteresse(d) e a frieza sexual femininos ou a ejaculação precoce e a impotência masculinas são produto do moralismo machista da sociedade burguesa. E que desaparecem(e) espontaneamente na mudança ideológica e na prática da vida libertária.
Essas e muitas outras coisas os jovens de hoje ainda sonham, buscam e praticam sem qualquer indicação aparente de uma unidade ou identidade, como aconteceu, por exemplo, com os cabelos compridos e as roupas unissex produzidos pelo movimento hippie. Para mim, em sua essência o movimento é mais vivo hoje e bem mais nocivo ao conservadorismo social burguês do que o foi em 1968, sobretudo por se ter tornado inconsumível, porque vive apenas de sua essência. Os hippies de hoje são os marginais criativos que nos diversos campos da vida pública nos parecem competentes ou geniais, mas, na verdade, não passam de pontas do iceberg que somos todos nós.
Adaptado de: FREIRE, Roberto. Ame e dê vexame. Rio de
Janeiro: Guanabara, 1990. P. 64-65.
Assinale a alternativa que traz uma afirmação FALSA sobre a formação morfológica de algumas palavras do texto.
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