Muitas foram as legislações e investidas políticas para um modelo de reforma agrária que atendesse aos interesses da população rural brasileira. As análises da realidade rural brasileira foram sempre contaminadas por interesses econômicos classistas ou por perspectivas ideológicas sectárias que produziram ou interpretações simplistas, que propugnavam soluções tipo “passe de mágica”, ou revolucionárias, que aspiravam a mudança da ordem política vigente. Outra característica dessas análises é a separação da questão agrária da questão agrícola. Essa visão esquizofrênica perdura, como se as ações de política agrícola não interessassem aos beneficiários da reforma agrária.
Danilo Nolasco C. Marinho. Risco de tragédias indesejáveis.
In: UnB revista, ano III, n.o 8, jul.-out./2003, p. 48 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial, julgue o item a seguir, relacionados à questão da terra no Brasil.
Definida no texto como “visão esquizofrênica” da realidade, a distinção entre questão agrária e agrícola atende a interesses específicos. Assim, falar em questão agrária corresponderia aos interesses de fazendeiros e empresários rurais, logo uma visão política de direita; já a questão agrícola seria uma posição de esquerda, correspondendo à demanda dos trabalhadores não-proprietários de terra.