Magna Concursos
1504489 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belém
Orgão: Col.Mil. Belém
Provas:

Leia o TEXTO III e resolva as questões 9 a 11.

TEXTO III

NOTÍCIA DE JORNAL

enunciado 1504489-1 enunciado 1504489-2

1 Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca,

trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da

cidade, permanecendo deitado na calçada durante setenta e duas horas, para finalmente morrer de

fome.

5 Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos de comerciantes, uma ambulância do Pronto

Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que

acabou morrendo de fome.

Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso

(morrer de fome) era alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem

10 de fome. E o homem morreu de fome.

O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Médico Legal sem ser

identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome. Um homem morre de fome em plena

rua, entre centenas de passantes.

Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, [...] um

15 pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa — não é homem. E os outros homens

cumprem seu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas, todos passam

ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo

piedade, ou sem olhar nenhum, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido

entre os homens, sem socorro e sem perdão.

20 Não é da alçada do comissário, nem do hospital, nem da radiopatrulha, por que haveria de

ser da minha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.

E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de

fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome,

pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o

25 corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada

mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.

E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição em plena rua, no centro mais

movimentado da cidade do Rio de Janeiro, um homem morreu de fome.

Morreu de fome.

SABINO, Fernando. A mulher do vizinho. 17 ed, Rio de Janeiro: Record, 1997. (Adaptado para fins didáticos)

No trecho "Um homem de cor branca, trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade [...]" (linhas I a 3), a palavra sublinhada poderia ser substituída sem prejuízo de sentido pelo termo:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Aluno do Colégio Militar

40 Questões