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Leia o Texto 1 para responder às questões de 01 a 07.


Texto 1


1 – Isto é o diabo! Não poder adornar o estilo, de quando

2 em quando...

3 – Podes; podes empregar umas quantas figuras expressi-

4 vas, a hidra de Lerna, por exemplo, a cabeça de Medusa,

5 o tonel das Danaides, as asas de Ícaro, e outras, que ro-

6 mânticos, clássicos e realistas empregam sem afrontar,

7 quando precisam delas. Sentenças latinas, ditos históri-

8 cos, versos célebres, brocardos jurídicos, máximas, é de

9 bom aviso trazê-los contigo para os discursos de sobre-

10 mesa, de felicitação ou de agradecimento. Caveant con-

11 sules é um excelente fecho de artigo político; o mesmo di-

12 rei do Si vis pacem para bellum. Alguns costumam renovar

13 o sabor de uma citação intercalando-a numa frase nova,

14 original e bela, mas não te aconselho esse artifício: seria

15 desnaturalizar-lhe as graças vetustas. Melhor do que tudo

16 isso, porém, que afinal não passa de mero adorno, são as

17 frases feitas, as locuções convencionais, as fórmulas con-

18 sagradas pelos anos, incrustadas na memória individual e

19 pública. Essas fórmulas têm a vantagem de não obrigar os

20 outros a um esforço inútil. Não as relaciono agora, mas fá-

21 lo-ei por escrito. De resto, o mesmo ofício te irá ensinando

22 os elementos dessa arte difícil de pensar o pensado.

23 Quanto à utilidade de um tal sistema, basta figurar uma hi-

24 pótese. Faz-se uma lei, executa-se, não produz efeito,

25 subsiste o mal. Eis aí uma questão que pode aguçar as

26 curiosidades vadias, dar ensejo a um inquérito pedantes-

27 co, a uma coleta fastidiosa de documentos e observações,

28 análise das causas prováveis, causas certas, causas pos-

29 síveis, um estudo infinito das aptidões do sujeito reforma-

30 do, da natureza do mal, da manipulação do remédio, das

31 circunstâncias da aplicação; matéria, enfim, para todo um

32 andaime de palavras, conceitos, e desvarios. Tu poupas

33 aos teus semelhantes todo esse imenso aranzel, tu dizes

34 simplesmente: Antes das leis, reformemos os costumes! –

35 E esta frase sintética, transparente, límpida, tirada ao pe-

36 cúlio comum, resolve mais depressa o problema, entra pe-

37 los espíritos como um jorro súbito de sol.

ASSIS, Machado de. Obra Completa. V. II. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 4.

As sequências textuais criam no texto uma tonalidade discursiva que o torna

 

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