Quais as principais inovações interpretativas que influenciam, de forma positiva, o ensino de História Antiga? Em primeiro lugar, a apresentação de uma Antiguidade construída pela historiografia antes que uma História dada, acabada, a ser decorada pelo aluno.
Na História Antiga, a tradicional dicotomia entre Oriente e Ocidente constituiu uma grande narrativa que estrutura toda uma visão eurocêntrica da História. Cada vez mais, apresenta-se essa oposição no contexto histórico do moderno imperialismo do século XIX e XX, a mostrar como o Ocidente se cria como uma supercivilização dominadora do mundo. Em um primeiro momento, esse Ocidente é nitidamente racista, arianista, antissemita, ao criar um homem ariano ocidental, guerreiro e conquistador do oriental irracional, trapaceiro, indolente, pronto a ser civilizado pelos arianos (alemães, ingleses, franceses, depois americanos). No bojo da derrota nazista e da forja de um novo Ocidente antirracista, cria-se o novo conceito, muito presente nas interpretações tradicionais da Antiguidade, da superioridade cultural da civilização
judaico-cristã, ocidentalizando, em parte, tanto o judaísmo como o cristianismo, reconhecidos como de origem oriental.
(Pedro Paulo Funari. A renovação da História Antiga: In: Leandro Karnal (org.). História na sala de aula)
A análise sobre a História Antiga permite a conclusão de que