TEXTO 2:
Os índios das Américas vivem exilados em sua própria terra. A linguagem não é um sinal de identidade, é a marca da maldição. Não os distingue: delata-os. Quando um índio renuncia à sua língua, começa a civilizar-se. Começa a civilizar-se ou começa a suicidar-se?
Quando eu era criança, nas escolas do Uruguai nos ensinavam que o país tinha se salvado do "problema indígena" graças aos generais que no século passado exterminaram os últimos charruas.
O problema indígena: os primeiros americanos, os verdadeiros descobridores da América, são "um problema". E para que o problema deixe de ser um problema, é preciso que os índios deixem de ser índios. Apagá-los do mapa ou apagar-lhes a alma, aniquilá-los ou assimilá-los: o genocídio ou o outrocídio.
(GALEANO, Eduardo. Ser como eles. Rio de Janeiro: Revan, 2000, p. 72-73)
No texto acima, a distinção feita por Eduardo Galeano entre genocídio e outrocídio é a de que:
I. Com os termos genocídio e outrocídio, Galeano se refere a duas formas de violência contra os índios, ou a duas formas de fazer com que "os índios deixem de ser índios."
II. Representam a aniquilação concreta, o extermínio da etnia indígena, enfim, a prática do genocídio.
III. O apagamento da cultura indígena, de tudo aquilo que a torna uma outra cultura em relação àquela dominante. Para caracterizar esta última prática, Galeano se vale do neologismo outrocídio, criação que pode ser interpretada como equivalente a "a eliminação da diferença".
De acordo com as afirmações acima, podemos dizer que: