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1665354 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Franca-SP
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POR QUE TEMPO PARECE PASSAR MAIS DEPRESSA EM MOMENTOS BONS E ASSUSTADORES?
Nós, humanos, conseguimos calcular a passagem do tempo mentalmente com certa precisão. Conseguimos inferir qual foi a duração de uma visita a um parente e qual foi o tempo consumido até chegarmos a um determinado destino. Uma série de processos orgânicos habilita a existência de nosso relógio interno.
Entretanto, essa precisão se perde frente a certos contextos, prazerosos ou enfadonhos. Quem nunca experimentou os minutos que se vão aborrecidamente lentos em situações tediosas? Já em uma boa festa , "o tempo voa mais do que a canção".
Parece um paradoxo termos um sistema biológico acurado em estimar o tempo, mas que, quando pressionado por emoções, desregula-se. Será que nossas emoções enevoam nossos discernimentos, inclusive nossa percepção de tempo? A emoção, ao corromper a razão, deturpa nossa ordem mental e impede que diferenciemos a cadência da sucessão dos minutos? Nossas emoções inviabilizam a precisão
Seriamos simplistas demais se aceitássemos essa premissa . Primeiro, porque não existe razão completamente desvinculada de de emoções. Segundo, as distorções de percepção de tempo moduladas pelas emoções não são um erro biológico, mas um processo adaptativo favorável para nossa sobrevivência.
Foi isso o que a psicóloga Sophie Fayolle demonstrou. Em um experimento, a cientista distribuiu choques elétricos controlados aos participantes enquanto avaliava como eles percebiam o tempo passar. Depois de terminar seus testes, Fayolle analisou como emoções, ou melhor, medo e dor, distorceram a percepção de tempo.
As pessoas, literalmente chocadas, superestimavam a duração do martírio elétrico e subestimavam o tempo decorrido ao longo dos testes. Portanto, os participantes tiveram seu relógio interno acelerado durante os choques, o que distorceu a concepção de tempo. Esse relógio destacou aquilo que emociona, ao valorizar excessivamente os instantes dos desconfortos elétricos.
Fayolle provou que emoções afetam nosso julgamento temporal, e isso deve nos motivar a agir o mais rapidamente quando estamos ameaçados.
Mas, afinal, o que faz a conjunção entre nossa percepção de tempo e nossas emoções? A resposta é a dopa mina, neurotransmissor que nos faz julgar o tempo e também nos dá a sensação do prazer.
O núcleo accumbens é uma estrutura cerebral que trabalha como um centro da motivação. Ele nos faz desejar as prazerosas bonificações da vida , como as obtidas em refeições e no sexo. Esse núcleo. quando embebido em dopamina, provoca a impressão de que o tempo flui mais rapidamente. Mas, ao ser privado desse neurotransmissor, provocará em nós a impressão de que segundos se estenderam preguiçosamente. O prazer é igualmente mediado pela liberação de dopamina. Portanto, esse neurotransmissor faz o tempo voar e temos prazer.
O desejo pelo medo nos expõe às altas velocidades, aos filmes de terror, aos saltos de paraquedas. O desejo pelo prazer que acelera o tempo. E provoca a nítida impressão de que a aventura durou pouco.
Luciano Magalhães Melo -jornal Folha de São Paulo, edição de 4110/2019.
Avalie as afirmações feitas sobre o texto.
I. O fato de não haver razão completamente desvinculada de emoções nos compelem a distorções de percepção de tempo, o que caracteriza um erro biológico da nossa espécie.
II. Experimento conduzido pela psicóloga Sophie Fayolle demonstrou que choques elétricos controlados nos levam a uma mais efetiva e melhor aferição do tempo, pois aceleram nossos relógios internos, impedindo a distorção dessa concepção.
III. A dopamina é um neurotransmissor capaz de nos proporcionar a sensação de prazer; o prazer, por sua vez, é mediado pela liberação daquele neurotransmissor no organismo.
IV - O desejo pelo medo acelera o tempo e nos provoca prazer, fazendo com que tenhamos a sensação de que situações de terror ou dor duram menor tempo.
Representa uma dedução possível da leitura do texto o afirmado em:
 

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