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1067794 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: UPENET/IAUPE
Orgão: Pref. Caetés-PE
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TEXTO 1

Como representantes legítimos da sociedade brasileira, os jornais brasileiros, de forma mais ou menos explícita, apresentam situações diversas de preconceitos linguísticos. Um caso explícito de que tenho conhecimento foi veiculado em 1995, pelo Correio Braziliense, um dos mais conceituados jornais de Brasília.

Em fevereiro de 1995, o Correio Braziliense inaugurou uma seção intitulada “A última do português”, extremamente preconceituosa e, consequentemente, desrespeitosa, com a seguinte chamada: Uma seção de olho nos atentados ao idioma. Nesta seção, o Correio explicita, à página 26, que tinha como objetivo ser “uma seção de crítica ao idioma português falado e escrito por autoridades brasileiras em discursos, entrevistas e documentos”. O título da seção e a chamada que a inaugura já revelam a visão preconceituosa que vai nortear os artigos.

A pessoa que apresenta a seção – não identificada nesta primeira matéria – revela explicitamente este preconceito logo no primeiro parágrafo: “a seção não deve ser entendida como uma alusão aos nossos irmãos do além-mar, que falam o idioma melhor que os brasileiros.” No terceiro parágrafo, o preconceito linguístico é ainda mais evidente: afirma-se que “o português falado no Brasil possui as peculiaridades do linguajar dos colonizados. É um idioma destinado a esconder o pensamento e jamais revelar intenções. Faz sentido do ponto de vista político, mas provoca monumentais desencontros na comunicação”.

A meu ver, o apresentador da seção faz confusão entre língua e discurso político, e suas palavras refletem uma visão equivocada de língua, que nos tem sido passada ao longo dos séculos: a visão de que há línguas estruturalmente melhores do que outras; mais ricas e mais complexas – o que já se sabe que, do ponto de vista da estrutura linguística, não é verdade.

SCHERRE, Maria Marta P. Doa-se lindos filhotes de poodle: variação linguística, mídia e preconceito. São Paulo: Parábola, 2005, p.38-39. Adaptado.

Sabemos que as “classes de palavras” não devem ser compreendidas e ensinadas como compartimentos de fronteiras rígidas. De fato, as palavras transitam de uma classe para outra, a depender dos sentidos que adquirem em certos contextos. A esse respeito, analise as proposições abaixo.

1. O termo “brasileiros” funciona como adjetivo em “jornais brasileiros”; mas tem funcionamento de substantivo, por exemplo, no enunciado “É lamentável que os brasileiros sejam tão preconceituosos”.

2. No trecho: “Um caso explícito de que tenho conhecimento foi veiculado em 1995, pelo Correio Braziliense, um dos mais conceituados jornais de Brasília.”, o primeiro termo destacado funciona como artigo, enquanto o segundo tem as características de numeral.

3. No trecho “O título da seção e a chamada que a inaugura já revelam a visão preconceituosa que vai nortear os artigos.”, o primeiro termo destacado desempenha a função de pronome relativo, enquanto o segundo desempenha a função de conjunção integrante.

4. Os termos destacados no trecho “a visão de que há línguas estruturalmente melhores do que outras; mais ricas e mais complexas” funcionam, ambos, com traços da classe dos advérbios, embora pareçam tão diferentes do ponto de vista estrutural.

Estão CORRETAS:

 

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