Texto II
Crise mundial?
Nova crise mundial? As turbulências recentes trouxeram os piores temores à tona. Uma coisa é certa: os dois principais blocos econômicos – os EUA e a área do euro – ainda não se refizeram da crise de 2008-2009 e ameaçam experimentar uma recaída violenta. Nem os americanos nem os europeus superaram as sequelas do colapso de 2008. De nada adiantou preveni-los dos perigos. Não enfrentaram as raízes dos seus problemas – e ainda conseguiram acumular novos!
Um deles: a crise política – evidente dos dois lados do Atlântico Norte. Outro problema, este não tão novo: o declínio relativo dos EUA e da Europa. O cenário, por um lado, é de vácuo de liderança política nas velhas potências, com rejeição da maioria dos governos pela população. Por outro, EUA e Europa não conseguem exercer como antes a hegemonia no plano mundial. O mundo parece caminhar para uma multipolaridade fragmentada e instável.
O declínio, a decadência alcança maior nitidez na Europa, às voltas com uma crise tremenda na área do euro que, no limite, coloca em risco todo o projeto de integração europeu. A crise atual deixou evidentes as fissuras da institucionalidade europeia.
Por exemplo: a dificuldade de manter uma união monetária, em tempos de crise, sem união fiscal e, sobretudo, união política. Quando os ventos sopravam a favor, era possível manter na sombra as incoerências do projeto de integração econômica e monetária. Desde 2010, entretanto, os problemas acumulados ou disfarçados durante a fase de bonança estão estourando todos mais ou menos ao mesmo tempo.
Quais as consequências disso tudo no plano internacional? Espero estar errado, mas tudo indica que a economia mundial e as relações internacionais passarão por um período extremamente difícil e que esse período de dificuldades não terá vida curta. A primeira metade do século XXI poderá revelar-se tão turbulenta e violenta quanto a primeira do século XX.
BATISTA JR. Paulo Nogueira. Crise mundial? O Globo, Opinião,
p. 7, 06 de ago. 2011. Adaptado.
No Texto II, o trecho “O declínio, a decadência alcança maior nitidez na Europa” apresenta um exemplo de um dos casos de concordância verbal vigentes na norma-padrão do Português.
Outro exemplo em que a concordância se justifica pelo mesmo motivo é o seguinte: