A reforma psiquiátrica brasileira teve início na década de 1970 sob influência da conjuntura daquele período, caracterizado pela organização política no contexto de destituição da autocracia burguesa. Inúmeros eram os questionamentos por parte dos trabalhadores do campo da saúde mental, destacando-se a centralidade do cuidado calcado no modelo hospitalocêntrico biomédico e medicamentoso. As violações de direitos humanos presentes nos hospitais psiquiátricos e os diversos mecanismos de opressões presentes na sociedade capitalista, apontados na Carta de Bauru, direcionaram a luta dos militantes da reforma psiquiátrica e da luta antimanicomial. Ao processo de desinstitucionalização e fechamento progressivo de hospitais psiquiátricos, possibilitado pela Reforma Psiquiátrica, somam-se as modificações em relação ao cuidado das pessoas em sofrimento psíquico, principalmente no âmbito legislativo e assistencial. Tais mudanças romperam com a lógica da psiquiatria tradicional, que sustentava as práticas manicomiais, passando a compor um novo campo, que é o