Cachorro se parece mesmo é com criança: vive o
agora, alegra-se com o simples prazer de uma caminhada,
corre, pula, brinca, diariamente. Aliás, o que mais incomoda o
homem no comportamento canino é a constante alegria do seu
melhor amigo. Em geral, não estamos acostumados a viver
horas por dia de puro prazer, ainda mais quando levamos
uma vida de cachorro. Sentimo-nos, talvez, desrespeitados
pela impertinência de um contentamento desmesurado,
principalmente quando algo ou alguém patrocinou-nos alguma
desventura.
Laudimiro Almeida Filho. Vida de cachorro. In: Acontessências. Brasília: Gráfica e Editora Positiva, 1999, p. 37 (com adaptações)