Uma das ideias fora de lugar que assolam a sociedade brasileira é aquela segundo a qual a sonegação não é um mal tão grande — até porque parte do dinheiro dos impostos vai mesmo para o bolso dos corruptos. Na semana passada, esse ponto de vista desatinado estava implícito na repercussão provocada pela sentença contra a sócia da loja de luxo Daslu, condenada a 94 anos e seis meses de prisão por importação fraudulenta com o objetivo de sonegar impostos. Nos dias seguintes, houve quem se escandalizasse com o fato de a pena ser maior que a de muitos assassinos e até quem defendesse o fim da restrição à liberdade para crimes contra o sistema financeiro. De fato, quase um século é uma pena duríssima, e é certo que ela será reformada para muito menos nos tribunais superiores. Ainda assim, é preciso punir com cana dura a dona da Daslu e seus cúmplices, se o Brasil quiser figurar no rol das nações civilizadas. Pelo simples fato de que sonegação, o objetivo final das patranhas da quadrilha de luxo, é roubo — e do pior tipo.
Como ninguém gosta de pagar imposto, em qualquer país sério a punição a quem sonega é brava. Um piloto paulista de Fórmula Indy, por exemplo, corre o risco de pegar 35 anos de cana nos Estados Unidos da América. Ele é acusado de sonegar 5 milhões de dólares. Os promotores americanos são especialmente rígidos com celebridades, para dar o exemplo a outros sonegadores — e o efeito pedagógico costuma ser imediato.
Laura Diniz. Sonegar é roubar. In: Veja, ed.
2.107, ano 42, n.º 14, 8/4/2009 (com adaptações).
Acerca das ideias e da estrutura do texto acima, julgue o próximo item.
O sujeito de “é roubo” é “sonegação”.