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1884188 Ano: 2017
Disciplina: Pedagogia
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
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Em Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística, Marcos Bagno estabelece uma clara distinção entre as abordagens normativa e descritiva. A primeira busca prescrever instruções mediante regras que, na maioria das vezes, seguem critérios de cunho social e não linguístico. A segunda, por sua vez, efetua um trabalho de definição, classificação e interpretação em que não há a intenção de julgar, mas sim de compreender os fenômenos observados. Tanto nessa obra quanto em publicações posteriores, como na Gramática pedagógica do português brasileiro, o autor fundamenta seu posicionamento em uma visão descritiva. Adotando tal perspectiva, leia a seguir “O poeta da Roça”, de Patativa do Assaré.
Sou fio das mata, cantô da mão grossa,
Trabaio na roça, de inverno e de estio.
A minha chupana é tapada de barro,
Só fumo cigarro de paia de mio.
Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestré, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.
Não tenho sabença, pois nunca estudei,
Apenas eu sei o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre,
E o fio do pobre não pode estudá.
Meu verso rastero, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo e na roça
Nas pobre paioça, da serra ao sertão.
Só canto o buliço da vida apertada,
Da lida pesada, das roça e dos eito.
E às vez, recordando feliz mocidade,
Canto uma sodade que mora em meu peito.
[...]
(ASSARÉ, Patativa do. Cante lá que eu canto cá: filosofia de um trovador nordestino. Petrópolis: Vozes, 2004.).
Considerando as ponderações de Bagno (2012) e o poema acima, analise as seguintes afirmações:
I. As palavras sublinhadas no texto apresentam uma apócope muito difundida no português brasileiro, a qual corresponde à supressão da consoante em final de palavra. Ainda que o texto possibilite identificar o enunciador como falante de alguma variedade rural ou como um indivíduo pouco escolarizado, o fenômeno também pode ser observado na fala urbana de sujeitos mais letrados, em situações nas quais não há um alto monitoramento estilístico.
II. As palavras “trabaio”, “paia”, “fio” e “mio” têm uma grafia que representa o processo da vocalização (deslaterização/despalatização) de [Enunciado 3563645-1] em [i]. Por sua vez, a expressão “Sou poeta das brenha” revela um desvio de flexão e concordância nominal, tendo em vista que “brenha” significa mata espessa, virgem e deveria obrigatoriamente ser escrita no plural, independentemente do seu determinante.
III. As palavras “percura” e “argum” registram, na forma escrita, um processo fonético/fonológico denominado rotacismo, e a palavra “veve”, um abaixamento vocálico.
Estão corretas as afirmativas
 

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