“Quando assumimos a língua de sinais como uma realidade em nosso país e atribuímos a ela o status de língua muitas mudanças são possíveis. Compreendemos, então, que a maioria das leituras e estudos de caso feitos sobre as línguas orais sejam também aplicáveis no exame dessas línguas gestuais – obviamente considerando suas realidades de modalidade distinta. Dentre as mais diversas possibilidades, metodológicas e conceituais, de análises aplicáveis tem sido comum surgirem estudos sobre as línguas de sinais no campo da Sociolinguística. Nele encontramos, por exemplo, os estudos sobre o Preconceito Linguístico; muito aplicáveis na leitura das realidades vividas nas comunidades surdas. Sabidos como recorrente nas relações travadas em todas as línguas, o preconceito linguístico torna-se um fenômeno advindo das políticas construídas em torno de línguas em disputa e/ou do controle de suas variações de uso de uma mesma língua.
Nas bases dos preconceitos linguísticos encontramos um conjunto de ideias cristalizadas, o que o teórico Marcos Bagno (2011) chamou de “A mitologia do preconceito linguístico”. Dentre os tópicos, por esse teórico apresentados, está o mito da Unidade Linguística que discute a mística ao redor da imagem de que uma língua só atingiria seu estado de maturidade social quando apresentasse uma unidade total, homogenia e repetida em si. Pensamento esse muito questionado por diferentes estudos linguísticos atuais.”
[Reflexão construída com base em: BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico – o que é, como se faz? São Paulo: Ed. Loyola, 2011.]
O seguinte campo de estudos teóricos é forte e diretamente usado para desconstruir os equívocos levantados pela ideia de unidade linguística.