Dinheiro é a maior invenção dos últimos 700 anos. Com ele, você pode comprar qualquer coisa, ir para qualquer lugar, consolar o aleijado que bate no vidro do carro no sinal fechado, mostrar quanto você ama a mulher amada ou comprar uma hora de amor. É o passaporte da liberdade. Com dinheiro, você pode xingar o ditador da época e sair correndo para o exílio, ou financiar todos os candidatos a presidente e comparecer aos jantares de campanha de todos. Nos tempos que estamos vivendo, dinheiro é como Deus na Idade Média - o sentido único e todos os sentidos de todas as coisas. A "remissão" de todas as coisas. O que não produz nem é dinheiro, não existe. É falso, postiço.
Os sábios da igreja de antigamente são os economistas de hoje em dia. Dividem-se em dois grupos - os idólatras, para quem dinheiro é o pedacinho de papel, a imagem do sagrado, o santinho. Pare eles, o valor do dinheiro depende da quantidade de papéis em circulação. Para os iconoclastas, dinheiro é a base das relações sociais do mundo capitalista, a rede que organiza a sociedade. É um conceito, um crédito, um débito. Como os sacerdotes de antigamente, economistas têm a missão de explicar o inexplicável - como o dinheiro é tudo e nada ao mesmo tempo, por que falta dinheiro se dinheiro é papel impresso, ou se a quantidade de santinhos muda o tamanho do milagre.
(João Sayad, Cidade de Deus. Classe Revista de Bordo da TAM, nº 95, com adaptações)
Algumas conjunções e pronomes do texto, apesar de iniciarem orações afirmativas, têm também valor interrogativo. Assinale, nas opções abaixo, aquela a que, textualmente, é impossível associar esse valor interrogativo.